14 de fevereiro de 2012

Tereza Campello discute ações de enfrentamento ao crack em Porto Alegre

Da Redação

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, participa nesta terça-feira (14), em Porto Alegre, de reunião sobre o programa integrado de enfrentamento ao crack e outras drogas, que prevê ações para o período de 2012 a 2014.
Estruturado em três eixos – prevenção, cuidado e autoridade – o programa “Crack, é possível vencer” prevê a articulação de ações e políticas públicas entre os governos federal, estaduais e municipais e diferentes setores da sociedade. Para 2012, as ações priorizam o Distrito Federal e seis capitais: Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, São Paulo, Salvador e Porto Alegre.
Além de apresentar as informações gerais do programa, a reunião em Porto Alegre traçará um diagnóstico preliminar sobre a realidade local e servirá para a redação de uma proposta conjunta de ação. Representantes da União, do estado e da prefeitura assinarão termo de adesão se comprometendo a agir de forma articulada e intersetorial em todos os eixos do programa.
Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack
No eixo do cuidado aos dependentes químicos, a principal meta é ampliar a oferta de serviços de tratamento aos usuários e suas famílias. Nessa área, concentram-se as ações dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da Saúde. Outros objetivos são prevenir o uso de drogas, com ações educativas, informativas e de capacitação, e reprimir o tráfico.
Desde 2010, com o lançamento do Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack, o MDS expandiu a rede de Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros Especializados (Creas) e criou mais Centros de Referência Especializados para a População de Rua (Centros POP).
Naquele ano, o MDS recebeu R$ 100 milhões para acolhimento de usuários de crack e outras drogas. Desse total, R$ 33,7 milhões foram investidos em proteção social básica, para atuar na prevenção de situações de risco e no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários dos mais vulneráveis. Os Cras são a porta de entrada desse tipo de atendimento. Os R$ 66,3 milhões restantes destinaram-se à proteção especial, ações de média e alta complexidade, destinadas a indivíduos que já vivenciam a violação de direitos e necessitam de assistência especializada.
A expansão da rede assistencial reforçou a prevenção e a articulação com a área da saúde, com a identificação e o encaminhamento de usuários para tratamento e com o acompanhamento das famílias. A partir de 2011, o MDS investiu no fortalecimento das equipes de abordagem nas ruas, com atuação integrada aos consultórios de rua. Até 2014, 308 equipes deverão ser criadas, com aporte de cerca de R$ 45 milhões do MDS. Esses recursos deverão priorizar 253 municípios com população superior a 100 mil habitantes, além do Distrito Federal.

Com informações do MDS

“Não importa o atraso, Beira-Rio será sede da Copa”, diz ministro


Rachel Duarte
A demora na assinatura do contrato entre o Sport Club Internacional e a construtora Andrade Gutierrez ainda gera dúvidas sobre a conclusão da reforma do estádio Beira-Rio em tempo de sediar a Copa do Mundo de 2014. Para afastar os rumores de uma mudança de sede, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) reafirmou nesta terça-feira (14) sua confiança na escolha do estádio colorado feita pela FIFA. “O plano A é o Inter e o plano B é o Inter”, disse sendo aplaudido pelos dirigentes do clube em coletiva de imprensa.
Após rápida inspeção no gramado, sem nem se aproximar da obra parada desde junho no Beira-Rio, o ministro fez um discurso aos jornalistas. “Quero salientar a minha satisfação com o que ouvi e vi desde ontem (segunda) quando cheguei a Porto Alegre, no que se refere à preparação do Rio Grande do Sul para a Copa”, disse. Segundo Rebelo, o Beira-Rio atenderá a todos os requisitos exigidos pela entidade internacional que promove o mundial e pelo governo brasileiro. “Não é uma construção completa de um estádio novo como é o caso do Maracanã, o estádio de Brasília que foi totalmente demolido e o do Corinhthians que será feito inclusive em outro lugar. Aqui já tem uma estrutura moderna que será reformada”, comparou.
Diante dos microfones da imprensa, o ministro foi convicto de que o prazo para execução do cronograma da reforma no estádio do Inter não será comprometido com o atraso na lendária assinatura do contrato com a construtora. “As fundações de sustentação, a drenagem e a rede pluvial já foram feitas. Uns dias a mais ou a menos na assinatura do contrato não vão influenciar. A obra estará pronta antes da Copa, isso é o que importa”, argumentou.

"Uns dias a mais ou a menos na assinatura do contrato não vão influenciar", garantiu ministro ao referir-se a impasse entre Inter e construtora | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Diante da chuva de perguntas dos jornalistas sobre as informações ainda obscuras no que se refere a demora na assinatura do contrato para começar a reforma no Beira-Rio, o ministro do Esporte tangenciou as respostas. “O ministério tem uma data limite para aguardar pela assinatura. É aquela que assegure as obras antes da Copa do Mundo”, respondeu. Perguntado sobre qual seria a data, ele disse: “a data limite é flexível, de acordo com o emprego de mão-de-obra, equipamentos e insumos”.
Sobre o tempo para realização da obra por parte da construtora, o ministro também desconversou. “Eu não perguntei quantos meses. Eu tenho procurado saber mais como andam os detalhes do processo financeiro para assinatura do contrato, mas a empresa poderá informar”, disse.
O presidente do Internacional, Giovanni Luigi garantiu que não há possibilidade de a Andrade Gutierrez encarecer os custos da obra com a demora no contrato. “O contrato não prevê variação de custos. O Internacional está protegido pela minuta de variação de custos”, resumiu-se a dizer.
Pressão gremista para plano B
Sobre o jogo político constituído pelos dirigentes do clube rival no RS para que a futura Arena do Grêmio seja considerada uma segunda opção para Porto Alegre não ficar de fora da Copa, o ministro referendou que não há como realizar Copa do Mundo e Copa das Confederações em outro lugar que não o Beira-Rio. Mas não deixou de reconhecer o potencial do estádio gremista. “É uma questão de justiça reconhecer e prestigiar o que está sendo feito lá. Só que não temos como mudar o que já foi acordado com a FIFA”, garantiu.
Apesar de ser enfático no afastamento de especulações sobre um plano B, o ministro Aldo Rebelo atendeu ao convite do presidente gremista e deputado estadual Paulo Odone (PPS) para acrescentar na agenda de vistoria dos estádios sede da Copa, uma ida a futura Arena. “É uma homenagem que vou fazer. Seria descortesia da minha parte não o fazer. Assim como vou visitar o Palestra Itália, mas, também vou render as minhas homenagens a Sociedade Esportiva Palmeiras com a minha visita”, falou.

"Odone não está errado de querer Copa na Arena. O que eu não posso fazer é abrir uma possibilidade que não existe" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Embora a FIFA já tenha feito anúncio oficial das cidades que poderão sediar jogos da Copa das Confederações em 2013, o deputado estadual Paulo Odone defendeu publicamente na última semana que é possível trazer a competição para Porto Alegre – e na Arena do Grêmio, ao invés do estádio Beira-Rio, do Internacional. Como argumento, usa o precedente aberto pela Bahia, que convenceu a FIFA de que poderia sediar a competição, mesmo após o anúncio oficial das cidades-sede. “Na Bahia, o governador Jaques Wagner arregimentou o esforço político e popular e foram à luta, pressionando, exigindo. E levaram. Os recursos foram aumentados e isso incluiu a Bahia na Taça das Confederações. E nós, deputados gaúchos? E nós? O que estamos fazendo?”, questionou Odone, acentuando que a não realização da competição em Porto Alegre traria prejuízos a todo o RS.
De acordo com o ministro Aldo Rebelo, a Arena teria todas as condições de receber a Copa das Confederações e também a Copa do Mundo, mas a apresentação do futuro estádio do Grêmio é, ao menos por enquanto, apenas um gesto legítimo do presidente gremista. “Eu se fosse dirigente de clube, como ele, faria isso. Ele não está errado. O que eu não posso fazer é abrir uma possibilidade que não existe. A decisão de fazer a Copa no Beira-Rio já foi tomada e nós não trabalhamos com outra hipótese. Mas isto não significa que eu precise desmerecer o esforço do presidente do Grêmio”, defendeu.
A visita a Arena do Grêmio acontece às 16 horas. Na chegada a Porto Alegre, nesta segunda-feira (13), o ministro Aldo Rebelo reuniu-se com o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, e os presidentes do Internacional e do Grêmio, respectivamente Giovanni Luigi e Paulo Odone, para assegurar que Porto Alegre seguirá como uma das 12 subsedes da Copa do Mundo de 2014.
Nesta terça-feira (14), a agenda começou com um café da manhã no Palácio Piratini, com o governador Tarso Genro; o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati; o presidente da Câmara Federal, Marco Maia e da Assembleia Legislativa gaúcha, Adão Villaverde, e demais autoridades locais. Rebelo passará a terça-feira vistoriando os estádios gaúchos.

Defensor da reforma agrária, morre bispo presidente da CPT

Joka Madruga / TerraLivrePress
Dom Ladislau Biernaski ficou conhecido como "o bispo da reforma agrária" | Foto: Joka Madruga / TerraLivrePress

Da Redação

Conhecido como “o bispo da reforma agrária”, o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Ladislau Biernaski, de 74 anos, morreu na manhã desta segunda-feira (13) em decorrência de um câncer. Bispo de São José dos Pinhais (PR), Dom Ladislau participou ativamente das Pastorais Sociais e defendeu os movimentos sociais do campo.
Joka Madruga / TerraLivrePress“Nos grandes momentos de tensão e de conflito envolvendo os movimentos sociais, Dom Ladislau nunca se furtou em ficar do lado dos trabalhadores e trabalhadoras, e a eles manifestar seu apoio”, lembrou a CPT na nota.
A CPT também divulgou texto de Jelson de Oliveira, agente da CPT Paraná, que relata parte da biografia do bispo. “Foi padrinho incansável da campanha pelo módulo máximo para a propriedade da terra no Brasil. Chorou a morte de tantos trabalhadores sem terra país afora. Denunciou o trabalho escravo. Acreditou incansavelmente na agroecologia, na produção sustentável, no respeito ambiental e no comércio justo”, destacou Oliveira.

MST descreve dom Ladislau como "um semeador de ideias e de exemplos de vida, a serviço dos camponeses" | Foto: Joka Madruga / TerraLivrePress

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ressaltou as ações de Ladislau nas Pastorais Sociais, como a Pastoral Operária e a Comissão Pastoral da Terra, da qual foi vice-presidente de 1997 a 2003, e era seu atual presidente. Ladislau também participou de ações da Pastoral Carcerária e a Pastoral do Menor.
A Secretaria Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também lançou nota comentando o falecimento do bispo. A nota destaca que Ladislau era uma pessoa muito sábia, humilde e simples que gostava de conviver com os pobres e em especial com os camponeses. “Nos deixa aos 73 anos de uma vida comprometida com a verdade e a justiça. Um bispo filho de camponeses migrantes poloneses, que se preocupava com a soberania alimentar, com a agroecologia. Era um semeador de ideias e de exemplos de vida, a serviço dos camponeses”, escreveram.
O corpo será velado na Catedral de São José dos Pinhais, com o sepultamento previsto para as 9 horas de quarta-feira, 15. Ele nasceu em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, em 24 de outubro de 1937 e ordenou-se padre em julho de 1963, em Curitiba. Como sacerdote e licenciado em Filosofia, dedicou-se, à formação de novos padres na Congregação da Missão. Ele recebeu a sagração episcopal em maio de 1979, em Roma, trabalhando inicialmente como bispo auxiliar na arquidiocese de Curitiba.

Com informações da CNBB, CPT, MST, Rede Brasil Atual, Brasil de Fato e O Estado de S. Paulo

13 de fevereiro de 2012

Quase 8 milhões de diabéticos e hipertensos receberam remédios gratuitos em um ano

Ao fazer o balanço do primeiro ano do programa Saúde Não Tem Preço, a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (13) que 7,8 milhões de diabéticos e hipertensos receberam medicação gratuita no país.


Apenas em janeiro deste ano, 3,2 milhões de pessoas tiveram acesso gratuito aos remédios por meio do programa Aqui Tem Farmácia Popular.
“Há um ano, quando o usuário ainda pagava 10% do valor do remédio, esse número era bem menor – eram 853 mil pacientes”, ressaltou, em seu programa semanal Café com a Presidenta. Segundo Dilma, a falta de dinheiro não é mais motivo para que os pacientes interrompam o tratamento. Ao todo, 20,3 mil farmácias em 3,2 mil municípios fazem a distribuição da medicação.
Além de remédios para tratar a pressão alta e o diabetes, os locais oferecem remédios com descontos de até 90% para asma, colesterol alto, osteoporose e rinite. É possível ter acesso também a anticoncepcionais e fraldas geriátricas.
“No ano passado, o Farmácia Popular chegou a 781 municípios que não tinham nenhuma farmácia credenciada no programa. O Ministério da Saúde identificou onde está a população mais pobre, tanto nas grandes cidades como no interior do Brasil, e está estimulando o credenciamento de novas farmácias nesses municípios”, destacou a presidenta.
Este ano, segundo Dilma, a previsão é que sejam investidos R$ 7,7 bilhões apenas na compra de medicamentos. Ela lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou, no ano passado, 8,4 mil internações a menos de pacientes com hipertensão e 2,7 mil a menos de pessoas com diabetes.
“Outro resultado importante do programa foi o aumento do controle da distribuição dos medicamentos. Quando uma pessoa pega o remédio, a farmácia tem que tirar uma cópia da receita, com o registro do médico e o CPF do paciente para o controle do Ministério da Saúde”, ressaltou a presidenta.

(Agência Brasil/Blog do Planalto)

Do câncer do Lula ao exemplo perto de casa

Por Guilherme Zimmermann

No dia 29 de outubro de 2011, a assessoria do ex-presidente da república Luis Inácio Lula da Silva, informou que este fora diagnosticado com um câncer na laringe. A notícia causou alvoroço e comoção dentro e fora do país. Por decisão do próprio ex-presidente, buscou-se tratar a questão da doença de maneira a divulgá-la com transparência e acima de tudo, respeito e consideração à população. Inúmeros foram os pronunciamentos de autoridades nacionais e internacionais desejando a ele sucesso no tratamento e melhora imediata.
Nos portais de relacionamentos, redes sociais e por toda a internet diversas mensagens de apoio e carinho ao ex-presidente foram propagadas. Porém, nem tudo “foram rosas”. Não demorou e logo começaram a “pipocar nas redes” mensagens no sentido oposto, verdadeiras demonstrações de ódio e de ignorância, indo desde a exigência que Lula se tratasse na rede pública, através do Sistema Único de Saúde – SUS, até comemorações por ele estar doente. Gilberto Dimenstein, colunista da Folha de São Paulo, ao abordar o tema, classificou tais atos como “uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano”.
Após os primeiros estágios do tratamento do câncer, houve um retrocesso nos ataques ao ex-presidente Lula. Assim, acreditava que tais demonstrações carregadas de sentimentos negativos haviam sido deixadas para trás, superadas, talvez, pela consciência de que antes da figura pública e política existe o ser humano.
No entanto, tristemente, vejo que me equivoquei. De fato as agressões contra o ex-presidente Lula deixaram de ser destaque na internet e nas redes sociais. Mas isso não em razão das pessoas que alvejavam as críticas terem se solidarizado com o sofrimento alheio, mas sim, apenas pelo curso normal da vida, aonde outros assuntos mais recentes vão ganhando relevância.
Percebi isso em razão do acidente que meu pai, prefeito do Município de Novo Hamburgo, sofreu no dia 29 de janeiro do presente ano ao mergulhar no rio Tramandaí.     Como filho, cidadão hamburguense, cientista político e militante partidário, eu não estava preparado para o que aconteceria para além da fratura na sua coluna cervical.

Leonardo Boff: “Sempre fará sentido lutar por libertação”


"Na missa de Natal do Papa Paulo VI, que era transmitida pela Globo, quando o papa falava de Jesus Cristo libertador, eles traduziam "Jesus Cristo redentor". Até o Papa caiu sob a censura" | Foto: André Carvalho / Sul21

Vivian Virissimo

Em um tempo em que a palavra libertação era considerada subversiva pelo Estado brasileiro, o teólogo Leonardo Boff iniciava sua trajetória como um dos principais pensadores da Teologia da Libertação na América Latina. Quarenta anos depois, esta vertente da igreja católica que fez a opção pelos pobres vê seu trabalho ser difundido por todos os continentes e continua dando apoio aos movimentos populares que reivindicam mais justiça social.
Em entrevista exclusiva ao Sul21, concedida em janeiro durante o Fórum Social Temático 2012, Boff criticou os rumos da Igreja Católica, fez um breve balanço das políticas sociais em curso no Brasil e defendeu a atualidade da Teologia da Libertação. “Na medida que existem opressões no mundo, sempre faz sentido alguém lutar por libertação”, disse Boff.
“Quando eu publiquei Jesus Cristo Libertador, por 15 dias tive que me esconder da polícia, porque eles estavam atrás de mim”
 
Sul21 – A Teologia da Libertação surge em 1971 num contexto de forte repressão militar, não só no Brasil como também em outros países da América Latina. Eu gostaria que o senhor começasse relatando esse momento inicial.
Leonardo Boff – Curiosamente, o começo se realizou simultaneamente por teólogos que não se conheciam reciprocamente. Gustavo Gutierrez escreve sua Teologia da Libertação, eu escrevo Jesus Cristo Libertador e Joao Segundo do Uruguai publica um famoso livro sobre libertação e opressão.
Sul21 – Como era o cenário brasileiro naquela época?
Leonardo Boff – O cenário brasileiro era de grande repressão, a ponto de não se poder usar publicamente a palavra libertação. Pelo menos quando eu publiquei o livro Jesus Cristo Libertador, por 15 dias tive que me esconder da polícia, porque eles estavam atrás (de mim). Porque eu havia usado já desde o título o termo libertação.
Sul21 – Por que o termo libertação era tão mal visto pelos militares?
Leonardo Boff – Porque, na leitura dos órgãos de segurança, libertação era uma palavra cativa do marxismo: libertação operária, libertação da opressão capitalista. Tudo que tinha a ver com libertação eles consideravam aliados do marxismo. Ai reprimiu sistematicamente qualquer tipo de manifestação, seja feminina, de libertação espiritual, o que fosse. A tal ponto que na missa de Natal do Papa Paulo VI, que era transmitida pela Globo, quando o papa falava de Jesus Cristo libertador, eles traduziam “Jesus Cristo redentor”. Até o Papa caiu sob a censura. Mas é importante dizer que a teologia da libertação está no contexto do movimento mundial que começou na Europa com 68, com os jovens que também buscavam a libertação, contra os costumes arcaicos, contra os hábitos culturais caretas. A partir dali passou pela Europa toda, primeiro na França, depois nos Estados Unidos e depois chegou na América Latina. E isso repercutiu também dentro do campo da igreja. Na igreja encontrou este eco, porque a descoberta que nós fizemos é que grande parte da população é simultaneamente oprimida e religiosa, cristã. Então como fazer desse capital popular que era usado como resignação, como submetimento, transformá-lo em um capital de mobilização, libertação? Os evangelhos falam de Jesus Cristo libertador, que libertou da fome, da morte, não libertou só do pecado. Então, (a Teologia da Libertação buscava) dar uma outra versão à religião popular. Por isso, junto com a Teologia da Libertação, nasceram as comunidades eclesiais de base.
“A Igreja vai ao pobre com o olhar do rico, achando que o pobre é ignorante. E nós dizíamos: ignorante é aquele que diz que o povo é ignorante. O povo sabe”
 
Sul21 – Nesse sentido, gostaria que o senhor falasse sobre influencia a da teologia da libertação na formação de movimentos políticos como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Leonardo Boff – Este é um bloco só, que a gente chama de Igreja da Libertação. É importante entender que a marca registrada da Teologia da Libertação é a opção pelos pobres, contra a pobreza – nada de exaltar a pobreza -, a favor da vida e da liberdade. Então aqueles bispos que fizeram a opção pelos pobres, que colocaram os espaços da igrejas para os pobres, venderam suas terras, fizeram reforma agrária, deixaram os palácios e foram morar em casas populares e simples, como é o cardeal de São Paulo, Dom Paulo Evaristo. Vários bispos animaram essa descida no mundo popular, que é deixar que o povo ocupe os espaços da igreja. Então, antes da igreja fazer a opção pelos pobres, como era tempo de repressão e ninguém podia se manifestar, os pobres fizeram uma opção pela igreja, que era o único local onde poderiam se reunir sem serem presos e perseguidos. Não só a igreja optou pelos pobres, mas os pobres optaram pela igreja, e eles converteram muitos bispos, teólogos e padres, chegando lá e convidando para rezar. E quando rezavam colocavam todos os problemas de bairros, da situação dos sindicatos, aí as pessoas se comoviam e davam solidariedade. Disso nasceu a Igreja da Libertação, que são práticas concretas de libertação contra a opressão. Sempre tem que ver qual o tipo de opressão: da mulher, do negro, do indígena, do operário. Para cada opressão concreta, há uma libertação concreta. E a reflexão que tenta amarrar tudo isso, que vem depois da prática, é a Teologia da Libertação.


"Para cada opressão concreta, há uma libertação concreta. E a reflexão que tenta amarrar tudo isso, que vem depois da prática, é a Teologia da Libertação" | Foto: André Carvalho / Sul21

Sul21 – Como a Teologia da Libertação encara o princípio da caridade, que é bastante difundido na igreja, mas que no fim das contas acaba geralmente pendendo ao assistencialismo? Como a igreja pode lidar de uma maneira mais crítica com relação a isso?

12 de fevereiro de 2012

Íntegra da carta de Lula referente aos 32 anos do PT

A carta foi lida pelo presidente do PT, Rui Falcão.

Brasília, 10 de fevereiro de 2012
Cara Presidenta da República Dilma Rousseff,
Caro Presidente do PT Rui Falcão,
Dirigentes e Militantes do PT,

Companheiras e Companheiros,
Eu queria muito estar hoje em Brasília com vocês. Além de celebrar coletivamente o aniversário do nosso partido, teria a oportunidade de rever e abraçar tanta gente amiga cujo carinho e companheirismo têm um papel fundamental na minha vida.
No entanto, o meu tratamento de saúde entrou em sua etapa final e devo manter a rigorosa disciplina seguida até agora, para que a cura seja completa e eu volte o mais rápido possível à militância social e política que tanto nos apaixona e mobiliza.
Se não terei, hoje, a alegria de revê-los, é porque quero estar com vocês muitas e muitas vezes nos próximos meses e nos anos vindouros, participando intensamente das lutas promovidas pelo PT em defesa da dignidade do povo brasileiro e da democratização cada vez mais substantiva da nossa sociedade.
O PT tem motivos de sobra para orgulhar-se de sua trajetória e de suas conquistas.
Conseguimos, nesses 32 anos de vida, enfrentando todo tipo de preconceito e dificuldade, construir o maior partido de esquerda da história do Brasil e uma das organizações progressistas mais respeitadas do mundo.
Cumprimos, com notável êxito, os principais compromissos contidos em nosso “Manifesto de Fundação” lançado em 10 de fevereiro de 1980 naquele memorável encontro do Colégio Sion.
Nunca será demais lembrar que, junto com outras forças de oposição, o PT contribuiu de modo decisivo para o fim do autoritarismo e a redemocratização do país. Ajudamos a criar e consolidar a maioria das organizações populares, independentes e combativas, que fazem a riqueza da sociedade civil brasileira. O chamado “modo petista de governar”, primeiro nos municípios e estados e depois no próprio governo federal, renovou profundamente a cultura administrativa do país, tornando-o muito mais republicano e participativo. Construímos, em parceria com outros partidos de esquerda, imprescindíveis ao sucesso da causa comum, generosas frentes populares, que se opuseram ao desmonte neoliberal e ofereceram ao país um modelo alternativo de desenvolvimento, capaz de gerar empregos, distribuir renda e promover inclusão social. E fomos além. Inspirados no saudoso Paulo Freire, que recomendava “unir os diferentes para melhor enfrentar os antagônicos”, constituímos uma ampla aliança de centro-esquerda para conquistar democraticamente a Presidência da República.
Nesses nove anos de governo nacional, o PT e seus aliados realizaram, pacificamente, uma verdadeira revolução econômica e social, levando o país a dar um extraordinário salto produtivo e tecnológico e, sobretudo, incorporando aos direitos básicos de cidadania dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras que viviam à margem da sociedade. Tudo isso resultou em uma nação muito mais próspera e justa, que conquistou importante lugar no mundo. A atuação internacional do Brasil expressa os mesmos valores éticos e políticos, afirmando a soberania do país, impulsionando a integração regional e pugnando pela reforma da ordem global, na perspectiva de um mundo multipolar, em que todos os povos tenham verdadeiras oportunidades de desenvolvimento.
Nosso projeto transformador, hoje sob a liderança da querida companheira Dilma Rousseff — essa mulher corajosa, lúcida e competente, que o Brasil e o mundo estão aprendendo a admirar — segue de vento em popa.
A Presidenta Dilma, além de consolidar as conquistas do período precedente, cujo mérito é também dela, como excelente ministra que foi, está dotando o país de novos objetivos estratégicos, que devemos apoiar com entusiasmo. São metas econômicas, políticas, sociais e culturais que pavimentam o caminho do futuro. Peço licença a vocês para destacar duas delas, que tocam fundo o meu coração: erradicar a extrema pobreza até 2014, dando oportunidade de sobrevivência digna a 16 milhões de pessoas, por meio do Programa Brasil Sem Miséria; e expandir em escala massiva o ensino profissional e tecnológico, interiorizando a oferta, por meio do Pronatec, que pretende beneficiar 8 milhões de jovens até 2016.
Ainda existem, evidentemente, desafios importantes a superar. Mas os avanços obtidos sob a liderança do PT são inequívocos e prefiguram conquistas ainda maiores e mais valiosas.
Para estar à altura de suas responsabilidades, como esteve até agora, o nosso partido precisa manter-se sempre democrático e inovador, sem perder nunca a capacidade de aprender com as lutas do povo e de se aperfeiçoar a cada dia.
Quero concluir essa saudação dizendo da minha alegria em saber que nesse ato estão sendo homenageadas duas pessoas admiráveis, que dedicaram toda a sua vida aos ideais de liberdade e justiça: Apolônio e Reneè de Carvalho. Sei que outros falarão sobre o inesquecível e insubstituível Apolônio. Direi uma palavra sobre a caríssima Reneè. Nada melhor do que o espírito fraterno, a bondade e o sorriso luminoso dessa linda companheira para simbolizarem o humanismo que deu origem ao PT e que sustenta a nossa caminhada.

Um grande abraço,
do Lula

Lula é internado no hospital após mal estar súbito

Da redação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi internado na tarde deste sábado (PT) no Hospital Sírio-Libanês após passar mal. O petista, que está na fase final do tratamento de um câncer na laringe diagnosticado em outubro do ano passado, não se alimenta bem e demonstra sinais de fraqueza.
O efeito da radioterapia impediu Lula de ir ao evento em comemoração dos 32 anos do PT e também tem impedido o ex-presidente de ir ao seu escritório na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Por recomendação médica, Lula não irá mais desfilar na escola de samba Gaviões da Fiel durante o Carnaval. A avaliação da aquipe que cuida do ex-presidente é de que ele está reagindo bem ao tratamento e apresenta regressão do tumor, mas a exposição ainda é proibida.
A previsão dos médicos é que a última sessão para extirpar o câncer ocorra no dia 17 de fevereiro, mas os exames para confirmar a regressão total do tumor serão feitos apenas no final de março – prazo necessário para esperar o fim da atuação da radiação no organismo.
Desde que começou o tratamento com radioterapia, Lula emagredeu 9 quilos e o último exame, feito em dezembro, apontou que o tumor reduziu 75% em relação ao tamanho inicial de 2,5 cm de diâmetro.

Com informações da Folha de São Paulo.

Paulo Schilling (1925-2012): Sem choro nem vela, foi-se o padrinho dos sem-terra

Geraldo Hasse
Especial para o Sul21

Morreu praticamente esquecido no final de janeiro no exílio paulistano o riopardense Paulo Schilling (1925-2012), uma das figuras mais ricas da história política gaúcha. Braço esquerdo do governador Leonel Brizola, ele tinha luz própria e jamais renunciou aos ideais nacionalistas de inspiração marxista, a despeito do colapso da maior parte das experiências comunistas do século XX.
Militante do extinto PTB, Schilling se atirou de peito aberto na luta pela reforma agrária em meados dos anos 1950, quando assumiu o papel de pai adotivo dos sem-terra da região de Encruzilhada do Sul, na Serra das Encantadas, onde exercia cargo técnico na Secretaria da Agricultura. Ali, na hoje chamada Metade Sul, dominada por grandes propriedades voltadas para a criação extensiva de gado, nasceu com a ajuda dele a primeira associação de trabalhadores rurais sem terra do Rio Grande do Sul, embrião do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), que chegou a mobilizar cerca de 200 mil famílias camponesas (pobres) gaúchas. Na mesma época, milhares de agricultores (remediados) criaram cooperativas agrícolas mais tarde reunidas na Fecotrigo. Schilling também participou diretamente do planejamento do projeto do Banhado do Colégio, em Camaquã, um dos marcos do governo Brizola  — o outro foi a desapropriação da Bond & Share, empresa norte-americana de produção energia, indenizada com Cr$ 1 em favor da CEEE.
A maior parte do esforço de organização nas bases rurais foi destruído a partir de 1964 pelos governos militares, que mantiveram entretanto o incentivo ao cooperativismo, suplantado politicamente pela Farsul, que representa o capitalismo agrário gaúcho.
O movimento dos sem-terra renasceria na Metade Norte do RS no início dos anos 1980, quando Paulo Schilling acabara de voltar de 15 anos no exílio, primeiro em Montevideo e depois em Buenos Aires. O “Alemão” (como o tratava Brizola) já tinha então se afastado do ex-governador do Rio Grande do Sul, também exilado no Uruguai, onde tinha uma fazenda de criação de gado.
Os dois começaram a divergir em relação a apoiar ou não ações armadas contra a ditadura militar. O primeiro movimento foi a “viagem” do coronel Jéferson Cardim Osório, que saiu das Missões disposto a repetir os feitos da Coluna Prestes, iniciada 40 anos antes em Santo Ângelo. Osório chegou ao Paraná antes de fugir do país.
A discórdia Brizola x Schlling se aprofundou em 1967, durante a guerrilha na Serra do Caparaó, na divisa dos estados de Minas, Rio e Espírito Santo. No meio do caminho, quando ficou claro que os revolucionários não teriam ajuda dos sitiantes serranos, Brizola mandou desativar o movimento. Além de retirar seu apoio, acabou sendo acusado posteriormente de não prestar contas de dólares recebidos de Cuba para financiar a revolução.
Schilling e Brizola não brigaram, mas se afastaram. De volta ao Brasil, enquanto Brizola criou o PDT, Schilling ajudou a fundar o PT. Sem disputar mandato eleitoral, PS fez política dentro da estrutura de poder, como um autêntico intelectual orgânico, mais apegado às próprias ideias do que ao pragmatismo político-partidário. Também não era de subir em palanque ou mesa de auditório. Só se pronunciava quando cutucado, daí talvez ter se tornado uma espécie de passageiro clandestino da história brasileira. Um passageiro privilegiado que chegou a estar ao lado dos condutores de um processo democrático truncado na primeira metade dos anos 1960.
Por tudo isso é difícil refazer seu perfil: além de naturalmente reservado, ele pouco se expunha, até mesmo desdenhava das possibilidades de sucesso na mídia ou na academia. Ironicamente, o padrinho dos sem-terras gaúchos chega ao final quase sem biografia. Como se um aluvião histórico tivesse enterrado a maior parte dos seus feitos, estudos e planos para mudar o panorama econômico do Rio Grande e do Brasil. É uma injustiça que precisa ser reparada, ainda mais que suas análises sobre a realidade agrária continuam válidas.
São dignos de nota, porém, o respeito e o carinho dos poucos jornalistas que o entrevistaram nos últimos 30 anos. Flavio Aguiar na Carta Maior e José Caldas Costa no Século Diário o reverenciaram, não apenas pela coerência intelectual, mas pela consistência de suas análises e propostas no âmbito do uso da terra no Brasil. “Era daqueles personagens temidos pelos tiranos de todos os tempos, porque sabia pensar”, resumiu o jornalista e professor de geografia Caldas Costa em sua coluna no www.seculodiario.com de Vitória.
Aos sobreviventes da corrida iniciada por Paulo Schilling na época da redemocratização do pós-Guerra, fica o desafio de levantar sua contribuição ao esforço pela justiça social. Ele escreveu mais de 30 livros e seu tema preferencial foi a questão da terra, mas sua obra mais importante é Como Se Coloca a Direita no Poder, uma crítica por dentro do governo Goulart, do qual ele participou como membro da tecnocracia empenhada na implantação de uma reforma agrária capitalista.
Isso ele deixou claro num depoimento dado em 1982 à revista da Fundação de Estatística e Economia (FEE), órgão da Secretaria do Planejamento do governo gaúcho. Dessa entrevista participaram Limeira Tejo, Claudio Accurso, Rubens Lima e Enéas de Souza. Dela foram pinçados trechos (da lavra de Paulo Schilling) que, transcritos abaixo, esclarecem episódios e fatos da história política do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Sobre a rivalidade Brizola x JK

“Brizola tinha verdadeiro ódio do Juscelino, porque era sistemático: por melhor que fosse o projeto que saísse daqui (do Rio Grande), chegava lá (em Brasília) e não andava. Quer dizer, esse problema pessoal entre os dois, que pretendiam ser candidatos á Presidência, teve muito a ver com a sabotagem que sofreu o Estado, isso era uma ordem dentro do governo Juscelino, historicamente isso tem que ser dito.”

Sobre o colapso da triticultura gaúcha nos anos 1950

“Devido à política desenvolvimentista de Juscelino para industrializar o país a qualquer preço, sem considerar outros aspectos como o social e o nacional, haviam sido firmados os chamados Acordos do Trigo Norte-Americano. Os EUA estavam, na época, com 40 a 50 milhões de toneladas de trigo excedente, não havia sequer condições de armazenar este produto; eles o deixavam em pirâmides ao ar livre. Então, no que deve ter sido uma das maiores manobras de dumping do mundo capitalista, os EUA ofereceram, pela primeira vez na história, este trigo para ser pago em cruzeiros e não em dólares, com 40 anos de prazo. Nesta época, as lavouras de trigo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, de forma incipiente, do Paraná já começavam a se desenvolver. Em 1956, a produção já alcançava 800 mil toneladas, quase a metade do consumo nacional. Logo, esta manobra americana praticamente liquidou a lavoura de trigo no Rio Grande do Sul. Imaginem, no meio de uma colheita, começar a chegar uma quantidade massiva de trigo americano. Certa vez, chegou a haver uma fila de 80 navios descarregando trigo no porto de Santos. Pois bem, isso alimentou aquele sentimento nacionalista que havia aqui no Estado. Esse movimento do trigo que evoluiu para a soja, e que pesa bastante mais nesse conjunto, passou a assumir uma característica de defesa também da nacionalidade. Foi um movimento nacionalista muito interessante, que começou a se estruturar organicamente. Com alguns companheiros, Danilo Romero, de Bagé, Alfredinho Westphalen, de Cruz Alta, Walter Graeff, de Carazinho, só para citar alguns, começamos a organizar as associações. Em primeiro lugar, as associações dos triticultores, exatamente para defender os interesses desse setor de classe; numa segunda etapa, partimos para a organização das cooperativas de trigo, iniciando então a FECOTRIGO que hoje é essa potência, mesmo com suas deformações, que é o problema do cooperativismo dentro do sistema capitalista.”

Schilling (à esquerda) participa da jornada de solidariedade ao povo paraguaio, realizada em 1982 no Paraná. Ao lado, aparecem os jornalistas Juvêncio Mazzarollo e Aluizio Palmar

Reforma agrária, pivô da reação

“Naquele tempo, a grosso modo, a metade da terra do Rio Grande do Sul ainda estava sendo explorada de forma precária, via o latifúndio tradicional extensivo. Os dados que se tinha de comparação com a Argentina e com o Uruguai eram impressionantes. Então, fez-se a tentativa, por um lado, de modernizar a base da média propriedade industrializada nos moldes do sistema norte-americano e, por outro, de tratar de assegurar uma reestruturação da pequena propriedade, impedindo que ela legalmente se transformasse em minifúndio. Isso tudo surgiu num projeto de reforma agrária, que foi elaborado durante o período de Brochado da Rocha como primeiro-ministro, onde se modificavam totalmente os conceitos de minifúndio e latifúndio. Todos os projetos de reforma agrária anteriores que entraram no Congresso estabeleciam o latifúndio como uma propriedade de mais de 500 hectares. Nós alteramos isso, não estabelecendo nenhum limite. A base que se estabeleceu foi de que latifúndio é a propriedade que não produz aquilo que pode produzir.
Pois bem, aí surgiu toda aquela campanha, não mais a nível de Rio Grande do Sul, mas a nível nacional. Acho que a reforma agrária era fundamental por dois motivos:  primeiro, é evidente, pelo motivo social, pois eram 12 milhões de camponeses sem terra; segundo, para aumentar a produtividade no campo. Entendia-se que somente se poderia avançar, dar um salto no processo de industrialização, se aumentasse aceleradamente a produção agrícola para gerar divisas que pudessem importar equipamentos e tecnologia. Ainda mais que a indústria estava em crise. No último ano do governo de João Goulart, por exemplo, o Produto Interno Bruto foi 1,5% menor do que o crescimento demográfico. Logo, era preciso criar novos mercados para a indústria nacional. Entretanto houve uma enorme reação e não foi feita a reforma agrária. O atual modelo econômico brasileiro é uma série de remendos, mas assenta-se fundamentalmente, no meu entender, em duas bases: no desenvolvimento com base em capitais forâneos, o que numa primeira etapa dá resultado, pois é como uma injeção que dá euforia; e na construção de uma moderna sociedade industrial, porém sobre as bases de uma sociedade agrária obsoleta, atrasada e antieconômica.
É preciso que se diga que, na época, nós não pensávamos em uma reforma agrária em termos socialistas e sim capitalistas. Ela objetivava racionalizar a produção no campo. Foi um projeto elaborado pelo Jader de Andrade, que foi secretário da Agricultura do Miguel Arraes, e por mim. Goulart acabou não mandando este projeto à Camara, mas ele foi apresentado, posteriormente, por Brizola e pela Frente Parlamentar Nacionalista.”

Brizola e Antônio Ermírio de Moraes

“Eu diria que Brizola tem um marco dentro de sua evolução ideológica. Hoje estamos em campos antagônicos. Acho que Brizola evoluiu de uma posição nacionalista popular reivindicatória para o velho populismo. Logo, se estou falando bastante nele, não é propaganda: falo do Brizola de antes.
Depois de termos tentado, de todas as maneiras, fazer alianças com setores da chamada burguesia nacional, vimos que ela sempre falhava. Quando se lança, por exemplo, a reforma agrária, notem bem, uma reforma agrária capitalista, da qual o maior beneficiado seria o camponês sem terra, mas o segundo maior beneficiário seria a própria burguesia, porque iria ampliar tremendamente o seu mercado de consumo, essa burguesia reage totalmente contra a reforma agrária, Eu afirmo aos senhores que nenhum dos grandes “capitães” da indústria brasileira ficou a favor do nosso projeto de reforma agrária, foram massivamente contra. Também na luta contra o imperialismo não se encontravam aliados, com exceção do Ermírio de Morais. Eu fui diretor do Panfleto, um semanário do Brizola no Rio, que circulou até o numero sete, depois
veio o golpe e terminou, e o único colaborador da burguesia nacional para o nosso jornal foi o Ermírio de Morais.
Então, Brizola, no discurso do Centro Acadêmico Cândido Oliveira (CACO), já desiludido, pois não havia maneira de acertar o passo com a burguesia nacional e consegui-la como aliada, teve uma frase mais ou menos assim: ‘A burguesia nacional
hoje é um simples agente do imperialismo’. E infelizmente era o que se verificava.”

Nacionalismo

“No meu livro Como se Coloca a Direita no Poder, no capítulo sobre Getúlio, eu mostro que nem sequer esse nacionalismo que teve vigência no país a partir de 1930 se pode chamar honestamente de nacionalismo burguês, porque foi um nacionalismo que surgiu no setor agrário. Como no Uruguai, com Luis Alberto Herrera, foi um nacionalismo que surgiu da luta do fazendeiro do Rio Grande do Sul contra os frigoríficos e que Getúlio depois transplantou para o plano nacional. O fazendeiro aqui no Estado regrediu historicamente com as charqueadas para não se deixar explorar pelos frigoríficos. A origem do nosso nacionalismo não nasce na burguesia de São Paulo, a prova é que a revolução foi feita contra São Paulo.”

Reformas de base

“O único período em que efetivamente o Rio Grande do Sul esteve no governo João Goulart foram os dois meses do Brochado da Rocha como primeiro-ministro. Inclusive a assessoria do Brizola se deslocou para o Planalto e fizemos aqueles 16 ou 18 projetos de lei que, se tivessem sido aprovados, teriam sido ‘as reformas’, sem dúvida nenhuma. Eram as reformas que julgávamos necessárias para um passo adiante a nível nacional. Não reformas socialistas, mas de um capitalismo muito mais racional, eliminando toda uma série de entraves feudais ou semifeudais que havia.
Algumas das coisas que a gente planejava fazer, o governo militar fez. Por exemplo, o Estatuto da Terra. Modificaram inclusive o artigo da Constituição que, no governo Brizola, impedia que se pudesse resolver esse problema das 200 mil famílias em termos estaduais. Aliás, acho que o principal problema do Rio Grande do Sul , ainda hoje, continua sendo exatamente o da terra e o da exportação de gente. Ainda este ano estive em São Felix do Araguaia, convidado por D. Pedro Casaldáliga, e havia gaúcho por todos os lados. Não que eu veja nisso algum mal em si, pois vejo o Brasil como um todo, mas acontece que essas migrações internas estão sendo feitas de forma anárquica e muito por cima das necessidades reais do desenvolvimento harmônico nacional.
O último recenseamento mostrou que, entre 1970 e 1980, 24,3 milhões de brasileiros mudaram de região, e isto é um problema muito sério, inclusive um problema que, do ponto de vista das classes dominantes, preocupa, porque foram criados verdadeiros monstros. Por exemplo, a Grande São Paulo tem 12 milhões de habitantes. Continua havendo o problema da capacidade de expulsão do latifúndio ser muito maior do que a capacidade de absorção pela indústria e pelos serviços urbanos dessa mão-de-obra.  De cada dois expulsos do campo ou de sua região para outra região, um consegue se integrar na economia capitalista urbana, o outro fica pelo meio do caminho, marginalizado. O próprio governo admite que existem 40 milhões de pessoas marginalizadas nesse país. A grosso modo, são três países num só: 40 milhões que constituem uma sociedade de consumo, 40 milhões que vivem num equilíbrio instável e 40 milhões totalmente marginalizados.”

11 de fevereiro de 2012

PSOL flexibiliza política de alianças nas eleições municipais

Samir Oliveira

PSOLA política de alianças do PSOL nas eleições municipais de outubro deste ano tende a se flexibilizar. Tradicionalmente ligados ao PSTU e PCB em disputas eleitorais, os socialistas acenam com a possibilidade de se coligarem com outras siglas em algumas cidades nas eleições municipais deste ano.
O caso mais emblemático é o de Macapá, capital do Amapá. Lá, o vereador Clécio Luís (PSOL) está conversando com todas as forças políticas – inclusive com o PSDB – e já articula uma aliança com o PPS e o PCdoB, dois partidos aos quais o PSOL faz oposição no Congresso Nacional.
No Rio de Janeiro, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) desponta como uma candidatura forte. O parlamentar ganhou notoriedade nacional por sua atuação contra as milícias, tanto é que sua reeleição contou com 177 mil votos, aumento expressivo diante dos 13.547 votos que o levaram pela primeira vez à Assembleia Legislativa.
Para tentar chegar a um segundo turno na disputa contra o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), Freixo busca aliados para além do PSTU e do PCB. O socialista mira na popularidade do deputado federal Fernando Gabeira (PV), que fez 846,4 mil votos na cidade do Rio de Janeiro em 2010, quando concorreu ao governo do estado aliado ao DEM e ao PSDB.
As movimentações políticas contam com o aval da direção nacional do partido, que chancelou, no congresso nacional realizado em dezembro do ano passado, a flexibilização das alianças. A resolução votada pelos delegados do PSOL estipula que “o diretório nacional avaliará caso a caso as alianças que avançarem para além do acúmulo da Frente de Esquerda (PSTU e PCB), cabendo somente a essa instância a decisão final sobre a possível concretização de ampliações”.
A diretriz também estabelece como prioritárias as disputas em Macapá, Belém e Rio de Janeiro. “Serão prioritárias para o PSOL as disputas pelas capitais do Pará, Amapá e Rio de Janeiro, em função do acúmulo partidário e das grandes potencialidades de vitórias político-eleitorais existentes nessas cidades”, orienta a resolução.
Procurado pela reportagem do Sul21, o presidente nacional do PSOL, deputado federal Ivan Valente, não quis se manifestar sobre as negociações em curso em Macapá. A assessoria do parlamentar alegou que cabe às instâncias locais do partido decidirem e que, havendo contestações, a direção nacional irá se posicionar.

Randolfe Rodrigues 


“O PSOL nasceu discutindo um arco maior de alianças”, entende senador
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), principal articulador da campanha municipal em Macapá, entende que o PSOL precisa se deslocar dos tradicionais aliados e procurar outras forças políticas para disputar as eleições. Ele explica que o partido “já nasceu discutindo um arco maior de alianças”, além das parcerias com PSTU e PCB, e lembra que em 2006 havia a possibilidade de uma coligação com o PDT para a corrida pela Presidência da República.
Senador Randolfe Rodrigues defende aliança com PPS em Macapá | Foto: Luiz Alves/Agência Senado

Randolfe, um ex-petista que chegou ao Senado em coligação com o PTB, considera que o partido não pode ficar preso a alianças somente com PSTU e PCB. “Me filiei ao PSOL porque acredito que o partido precisa levar em consideração o acúmulo à luta institucional. O PSTU acha que a luta institucional não vale a pena e que as eleições não têm finalidade. Nós achamos que as eleições são importantes para melhorar a vida das pessoas”, defende o senador.
O parlamentar não enxerga contradições numa possível aliança com o PPS – partido que atua alinhado ao PSDB e ao DEM no Congresso Nacional. “Eu não excluiria em hipótese alguma uma aliança com um partido que tem como referência nacional uma figura que é um ícone da luta democrática brasileira”, elogia o senador, em referência ao deputado federal Roberto Freire (PPS-SP).
Randolfe desmente os rumores de que o PSOL em Macapá também desejaria se coligar com o PSDB, conforme circulou na imprensa local após uma reunião do vereador Clécio Luís, pré-candidato pelo PSOL, com o deputado estadual tucano Michel JK. “Dialogamos com todos, mas não há possibilidade alguma de aliança envolvendo o PSDB”, esclarece.
A executiva do PSOL no Amapá chegou a divulgar uma nota para explicar as conversas. “Coligação com o PSDB não está contemplada, porém o diálogo com todas as expressões da política é democrático e faz parte da conduta civilizada”, diz o texto.
O senador Randolfe Rodrigues avalia que é possível manter a coerência programática do PSOL numa aliança com o PPS e o PCdoB. “Não cederemos nenhum milímetro nas nossas convicções”, alertou, resumindo a estratégia eleitoral numa frase: “Flexibilidade na tática, firmeza no princípio”. O parlamentar garante que um governo do PSOL em Macapá seria pautado por um “programa de transformações e com radical participação do povo nas decisões políticas”.
A reportagem entrou em contado com a assessoria do vereador Clécio Luís, mas não obteve retorno até o fechamento.

“Vejo com muita preocupação os movimentos políticos do Randolfe”, critica Luciana Genro

Liderança do PSOL gaúcho, a ex-deputada federal Luciana Genro não vê com bons olhos a flexibilização das alianças defendida por outros setores do partido. Ela critica a postura do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e acredita que uma distensão sem critérios pode prejudicar a sigla nacionalmente.

Bruno Alencastro/Sul21 

“As alianças que o Randolfe defende são bastante complicadas. Vejo com muita preocupação os movimentos políticos dele. Ele tem nos causado bastante polêmica. Se aliou ao PTB e com figuras que não têm nada a ver com a esquerda para se eleger”, dispara Luciana.

Luciana Genro teme impactos nacionais se alianças forem flexibilizadas | Foto: Bruno Alencastro/Sul21

A ex-deputada alerta que a flexibilização da política de alianças do PSOL pode prejudicar o partido em nível nacional. “Não é uma questão apenas local, a política de alianças de um partido tem reflexo nacional. Quando se abre uma exceção a um partido que não faz parte do nosso perfil, é preciso que ela seja muito bem fundamentada”, explica.
Luciana cita como exemplo de uma exceção bem fundamentada a coligação que fez com o PV para disputar a prefeitura de Porto Alegre em 2008. “Foi uma aliança debatida e fundamentada pelo perfil que o PV tinha aqui, pela proposta que conseguimos construir conjuntamente”, compara.

PSTU diz que PSOL se transforma mais rapidamente do que o PT

PSTUO afrouxamento que o PSOL vem sinalizando em sua política de alianças já provoca duras críticas por parte de seus tradicionais aliados de esquerda, como o PSTU, partido que apoiou Heloísa Helena (ex-PSOL-AL) na disputa pela Presidência da República em 2006.
O afastamento entre PSTU e PSOL não chega a ser uma novidade. Já nas eleições de 2008 em Porto Alegre, não foi possível uma aliança entre os dois porque o PSTU não concordou com o fato de a então candidata Luciana Genro ter aceitado receber R$ 100 mil da Gerdau.
A notícia de que o PSOL estaria se coligando com o PPS em Macapá este ano despertou reações no PSTU. Vários artigos no site do partido analisam a conduta do antigo aliado e apontam que o PSOL estaria “se transformando mais rapidamente que o PT”.

O ex-candidato à vice-prefeito de Fortaleza pelo PSTU, Lucas Scaldaferri, acredita que a militância do PSOL pode contornar a situação. “Para a militância socialista do PSOL, o futuro do partido está em jogo. Para aqueles que oscilam entre o socialismo revolucionário e o reformismo ‘socialista’ a hora do acerto de contas está chegando”, alerta, num artigo publicado no site do PSTU. Ele acredita que a “traição” da direção do PSOL “pode cair como um balde de água gelada sobre a consciência dessa nova geração de ativismo”.
A ex-deputada federal Luciana Genro garante que não está preocupada com as críticas do antigo aliado. “Isso não me preocupa. Embora tenhamos identidade ideológica com o PSTU, é um partido muito difícil de fazer política, possui dogmas dos quais não abre mão”, observa.

Sul21

Projeto propõe passagens intermunicipais gratuitas para policiais civis

A exemplo do que ocorre com os policiais militares, também os policiais civis poderão contar com passagens intermunicipais gratuitas. A proposta é do deputado Altemir Tortelli (PT). Por meio do PL 465/2011, o parlamentar propõe que as empresas de ônibus sejam obrigadas a fornecer duas passagens por veículo para policiais civis em serviço. De acordo com o texto, os assentos ficariam disponíveis na origem da linha até 15 minutos antes do horário de partida do coletivo. Para usufruir do benefício, o policial terá que apresentar a carteira de identidade funcional ao condutor do ônibus ou ao funcionário da empresa.

Desde 1993, o benefício é concedido a policiais militares, graças à Lei 9.823, de autoria do então deputado João Osório. Conforme Tortelli, foi uma iniciativa louvável por “propiciar a uma categoria que presta um relevante serviço social a possibilidade de se deslocar para o trabalho de forma gratuita, de maneira a minimizar os impactos nos baixos salários que percebe mensalmente”. Embora reconheça que esta não deva ser a regra, o parlamentar considera a medida necessária para amenizar também “a situação precária vivenciada pelos policiais civis” do Estado.

10 de fevereiro de 2012

Para comandante da PM, está decretado fim da greve em Salvador

Da Redação
Marcello Casal Jr./ABr Marcello Casal Jr./ABrO comandante da Polícia Militar da Bahia, coronel Alfredo Castro, disse na sexta-feira (10) que 85% dos policiais da região metropolitana de Salvador estão trabalhando. Segundo ele, há uma tendência de volta à normalidade, de acordo com levantamento feito pelo comando de manhã.
O coronel também avisou, em entrevista coletiva, que o policial que não compareceu ao trabalho hoje e não comparecer nos próximos dias terá o ponto cortado. Segundo ele, o comando deixará de entender as faltas como adesão ao movimento grevista. “A greve, na minha ótica, acabou. Tudo tem um começo, um meio e um fim e o fim da greve está decretado. Eu quero registrar que a falta ao serviço não está sendo considerada adesão à paralisação e, a partir de hoje, as apurações serão feitas”, acrescentou.
A entrevista foi concedida no Comando da PM, que fica no Largo dos Aflitos, a poucos metros do Ginásio dos Bancários, onde os policiais decidiram na quinta-feira (9) manter o movimento. Na opinião do coronel Castro, a decisão foi tomada ontem por uma minoria “que está resistindo à convocação do comando da PM ao trabalho. Mas a maioria está nas ruas”, disse.
Ele reconheceu, no entanto, que ainda é cedo para que os homens do Exército deixem o patrulhamento de Salvador, ação que vem ocorrendo mais nos bairros centrais e nas áreas turísticas da cidade. “Estamos em uma fase de transição. O Exército vai ficar até essa fase de transição terminar”, explicou.
Segundo levantamento do Comando da PM, o policiamento está mais escasso em alguns bairros que se localizam ao longo da Avenida Suburbana e também em Cajazeiras, na região metropolitana da cidade. “Nós identificamos essa deficiência e já estamos providenciando um reforço no policiamento dessas áreas”, disse o coronel.
Embora ele tenha passado uma mensagem para tranquilizar os moradores e os turistas que pretendem passar o carnaval em Salvador, ainda há um sentimento de insegurança por parte da população. À noite, as ruas têm ficado desertas, o comércio em alguns bairros ainda fecha as portas durante a tarde, ou mesmo quando soa o alerta de arrastão. Os shoppings também estão fechando mais cedo – às 20h, em vez de às 22h. Vários shows e ensaios de blocos carnavalescos, previstos para esta semana, foram cancelados.
O coronel disse que o reforço policial do interior da Bahia para a capital, que é feito todo ano durante o carnaval, está mantido para a próxima semana. Serão deslocado para Salvador 3,2 mil policiais de outras cidades baianas.
Agora à tarde, está marcada nova assembleia dos policiais grevistas para decidir se o movimento será mantido.

Com informações da Agência Brasil

PT comemora 32 anos de fundação nesta sexta-feira


Foto: O Partido dos Trabalhadores foi fundado no dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. Surgiu da organização sindical espontânea de operários paulistas, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva e outros trabalhadores, no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos de esquerda então existentes. Assim, o PT foi fundado com um viés socialista democrático. O Partido dos Trabalhadores foi oficialmente reconhecido como partido político pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral no dia 11 de fevereiro de 1982.

Passados 32 anos, o PT está à frente do comando do país pela terceira vez - dois mandatos do ex-presidente Lula e, agora, com Dilma Rousseff, primeira mulher eleita presidente do Brasil. O partido governa cinco estados (Acre, Bahia, Distrito Federal, Sergipe, Rio Grande do Sul) e 559 municípios. No legislativo federal, o PT tem a maior bancada na Câmara, 88 deputados eleitos, e detém a segunda bancada no Senado, com 14 senadores. Conta ainda com 149 deputados estaduais e 4.171 vereadores.

No Rio Grande do Sul, além de governar o estado, tem a maior bancada no legislativo (14 deputados), 61 prefeitos, 84 vice-prefeitos e 519 vereadores.

A direção nacional do partido comemora os acertos e vitórias desta trajetória nesta sexta-feira (10) com ato público em Brasília e homenagem ao primeiro militante filiado ao partido, Apolônio de Carvalho. A atividade (veja programação abaixo) inicia às 18h30, no Centro de Eventos Brasil 21 (SHS Quadra 06, Lote 01, Conjunto A, Setor Hoteleiro Sul, Plano Piloto) e deve reunir a presidenta Dilma Rousseff , o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, ministros, lideranças partidárias, parlamentares e dirigentes de todo o país.

Também promove o Encontro Nacional de prefeitos, prefeitas, deputados e deputadas estaduais "Experiências petistas de governo e eleições 2012", das 8 às 16h, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília (QS quadra 06 lote 01), com a presença da presidenta Dilma e do ex-presidente Lula. O presidente estadual do PT, deputado Raul Pont, representará a legenda e a bancada do legislativo gaúcho nas atividades.

Rio Grande do Sul

Já a direção estadual do partido promove coquetel e ato político a partir das 18h30 da segunda-feira (13), no Cais do Porto, em Porto Alegre (Avenida Mauá- Deck entre Armazéns A3 e A4). Os ingressos, a R$ 15,00, podem ser adquiridos antecipadamente nas sedes municipais e estadual do PT, nos gabinetes parlamentares ou no local.

Assembleia

Na próxima quarta-feira (15), o deputado Raul Pont presta homenagem ao Partido dos Trabalhadores pela comemoração de seus 32 anos. A homenagem acontece durante o período do Grande Expediente, no Plenário 20 de setembro da Assembleia Legislativa, a partir das 14h.

Passadas mais de três décadas de sua criação, o PT continua lutando para dar voz às lutas reivindicatórias dos trabalhadores por melhores condições de vida. “O PT nasceu de nossa capacidade de pensar, propor, agir e elaborar soluções para os problemas do país e o nosso desafio como militantes é continuar esta caminhada pela construção de uma sociedade com justiça, democracia, solidariedade e igualdade”, afirma Raul Pont.

Porto Alegre

O Diretório Municipal do partido organiza extensa programação. Nesta sexta-feira (10), um Almoço Temático - O PT pensa o PT -, na sede municipal, com o objetivo de fazer um balanço do partido e debater perspectivas.

Também no dia 10, às 19h, na sede municipal, o PT organiza um Ato de Filiações, com as presenças de lideranças políticas, sindicais e dos movimentos sociais.
Será lançada, no mesmo dia, nova edição do Boletim Informativo do PT-POA em conjunto com a Bancada de Vereadores. Nesta edição, serão abordados os feitos do Governo Tarso em Porto Alegre.

PROGRAMAÇÃO OFICIAL EM BRASÍLIA

Dia 10 de fevereiro de 2012 (sexta feira)

MANHÃ
9h às 12h - Reuniões Regionais de prefeitos/as.
● NORTE;
● NORDESTE;
● CENTRO-OESTE;
● SUL;
● MG & ES;
● SP & RJ.

9h às 12h - Encontro nacional de deputados/as estaduais.
12h - Inicio do check in nos hotéis
12h30min às 14h – ALMOÇO

TARDE
14h30min às 17h30min – Grande plenária com prefeitos/as, deputados/as e convidados.
MESA: Eleições 2012
Composição da mesa:
● Luis Inácio Lula da Silva ex-presidente da republica federativa do Brasil (a confirmar);
● Ideli Salvatti - Ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da
República (a confirmar);
● Marco Maia - Deputado Federal - Presidente da Câmara (a confirmar);
● Rui Falcão-Presidente nacional do Partido dos Trabalhadores;
● Geraldo Magela - Secretario Nacional de Assuntos Institucionais do PT;

18h30minh - Ato Público em comemoração ao aniversário do PT
Presença de:
● Dilma Rousseff – Presidenta da Republica Federativa do Brasil;
● Luis Inácio Lula da Silva ex-presidente da republica federativa do Brasil (a confirmar);
● Ministros e Ministras de Estado;
● Rui Falcão-Presidente nacional do Partido dos Trabalhadores;
● Senadores e Senadoras do PT
● Prefeitos e prefeitas do PT;
● Deputados e deputadas do PT;
● Demais convidados do Diretório Nacional.

Acessos municipais serão prioridade do governo para 2012

Em reunião na Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, o secretário Beto Albuquerque declarou ao deputado Edegar Pretto (PT) que o Governo do Estado deve inaugurar duas obras obras asfálticas até o mês de março. Conforme Edegar Pretto, o Executivo apontou como grande prioridade para o ano de 2012 os acessos municipais. O parlamentar esteve no gabinete do secretário para discutir a situação das obras asfálticas no interior do estado. “O governador Tarso Genro assumiu o governo com 104 municípios sem acesso asfáltico, dos quais 46 estão com obras em andamento. A projeção é de incorporar 30 novos acessos, totalizando 76 obras este ano. Outro foco da atual gestão para o decorrer do segundo ano de mandato é o início da duplicação de rodovias consideradas no Estado. Contratos de restauração e manutenção também estão sendo planejados para o primeiro semestre” ressalta o deputado.

Edegar Pretto ainda lembra que as obras são uma dívida que o governo do Estado com cerca de 900 mil gaúchos que enfrentam dificuldades para acessar suas cidades. O Programa de Acesso Asfáltico tem como base um financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), que foi elaborado por Tarso Genro antes mesmo de sua posse. A projeção de recursos para este início de 2012 está na faixa de R$ 600 milhões.

Uergs realiza vestibular neste domingo em dez cidades

O Vestibular 2012 da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) será realizado no próximo domingo (12), em dez cidades do Estado: Alegrete, Bagé, Bento Gonçalves, Cruz Alta, Erechim, Porto Alegre, Santana do Livramento, São Luiz Gonzaga, Três Passos e Vacaria. São oferecidas 769 vagas para cursos da área de Humanas, Vida e Meio Ambiente e Ciências Exatas.

As provas objetivas de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira, História, Geografia, Química, Física, Biologia e Matemática, serão compostas, cada uma, de cinco questões de múltipla escolha, mais redação de caráter dissertativo. O início do Vestibular será às 8h30, estendendo-se até as 13h.

Candidatos de Cachoeira do Sul e Tapes, que optaram por realizar a prova em Porto Alegre, terão deslocamento por intermédio de ônibus cedidos pelas prefeituras municipais.

Confira alguns dos cursos que tiveram maior procura: Pedagogia - Licenciatura
Administração - Gestão Pública
Tecnologia em Fruticultura
Administração Rural e Agroindustrial
Desenvolvimento Rural e Gestão Agroindustrial 45
Teatro
Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia

Além do ingresso via Vestibular, entrarão na Uergs no primeiro semestre deste ano, cerca de 531 novos alunos selecionados via SiSU (Sistema de Seleção Unificada). No total, foram colocadas à disposição de alunos gaúchos e de todo o Brasil, 1.320 oportunidades para graduação, em 18 cursos, a serem ministrados em 22 unidades do Rio Grande do Sul.

A Uergs dedica-se a promover, há 10 anos, o desenvolvimento regional sustentável, através da formação de profissionais qualificados. A Instituição reserva 50% de suas vagas para candidatos com baixa renda familiar e 10% para pessoas com deficiência.

Texto: Luciene Barbiero
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305

Governo do Estado e Manitowoc confirmam inauguração de fábrica para março


Foto destaque Considerada um investimento estratégico para o Estado, a instalação da primeira unidade da Manitowoc na América Latina foi confirmada nesta quarta-feira (8), no Palácio Piratini, em reunião com representantes da empresa e o governador Tarso Genro. Com apoio do Fundopem, os investimentos para a construção em Passo Fundo vão chegar a R$ 70 milhões. Entre empregos diretos e indiretos, a fábrica deve gerar mil vagas.

Uma das maiores fabricantes de guindastes de torre (gruas) e de guindastes hidráulicos do mundo, a empresa norte-americana pretende inaugurar a nova sede em 31 de março. Convidado pelo diretor-presidente da Manitowoc Brasil, Mauro Nunes, para a solenidade de abertura, o governador confirmou presença. Tarso disse que a instalação da unidade - que está sendo construída em um terreno 450 mil m² de Passo Fundo - faz parte do planejamento estratégico de desenvolvimento para o Estado.

Nunes elogiou a agilidade do Executivo gaúcho para garantir os investimentos e explicou que as conversas iniciaram em 17 de janeiro do ano passado. "O Governo em momento algum evitou esforços para que a Manitowoc se instalasse no Estado", destacou. A ideia é iniciar a produção de guindastes modelo RT, que são para terrenos acidentados. "Devemos produzir 44 unidades, mas o objetivo é atingir até 120 unidades por ano", acrescentou.

Além de garantir que as obras estão dentro do cronograma, Nunes disse que a meta é terminar a construção até fevereiro. Março será reservado apenas para os trabalhos de acabamento da estrutura. Trinta e cinco funcionários já estão contratados. "Até o final do ano iremos contratar mais 70, principalmente para a linha de produção e para a área administrativa", afirmou. Inicialmente, a empresa deve produizr apenas uma linha, mas o objetivo é expandir a produção a partir de julho de 2013.

9 de fevereiro de 2012

Projeto São Francisco vai levar água para 12 milhões de pessoas no Semiárido

Obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem cerca de 700 km de extensão e vai levar água para 12 milhões de pessoas que vivem na região.


O Projeto de Integração do Rio São Francisco - obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com cerca de 700 km de extensão -, vai levar água para 12 milhões de pessoas que vivem no Semiárido. Composta por canais, barragens, estações de bombeamento, aquedutos e túneis, a obra vai beneficiar 390 municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
A presidenta Dilma Rousseff iniciou, nesta quarta-feira (8), uma viagem de dois dias pela região para vistoriar o andamento das obras. Ela deve passar por pelo menos sete municípios de Pernambuco e do Ceará, reunindo-se com técnicos e representantes das construtoras envolvidas nos projetos.
Na primeira etapa da visita às obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco, em Pernambuco, a presidenta afirmou que vai cobrar o cumprimento dos prazos e metas para execução da obra. Segundo ela, superada a fase de renegociação de contratos, o governo agora quer resultados. “Essa obra é estratégica para o país. Ela é também uma obra desafiadora, prioritária para o governo e para o Brasil. É uma obra que nós daremos integral apoio e agora nós queremos resultado. E isso será cobrado”, disse a presidenta em entrevista coletiva na cidade de Floresta, em Pernambuco”.
Ela disse ainda que pretende “olhar detalhadamente os prazos” para cobrar as metas de execução da obra de integração do Rio São Francisco. Segundo a presidenta, o governo pretende “tirar o investimento público do papel” para garantir o crescimento econômico e a melhoria das condições de vida da população.
“Nós vamos tirar o investimento público do papel. Daqui para frente, não há justificativa nenhuma para que esses investimentos não saiam. Para o país crescer, para melhorar as condições de vida população, tem certas obras que são estruturantes, são prioritárias. Esse é uma obra estruturante e prioritária para o Nordeste”, afirmou a presidenta.