25 de agosto de 2011

Expointer começa neste sábado em Esteio


A partir deste sábado (27), milhares de pessoas devem passar pelo Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, para visitar a 34ª Expointer, considerada a maior feira da América Latina voltada ao agronegócio. A abertura oficial dos portões será feita pelo governador Tarso Genro, às 9h, no portão 2 do Pórtico Central, na entrada do parque. Logo após o ato oficial, uma comitiva percorrerá os principais pontos da feira. 

A programação da 34ª Expointer começa um pouco antes, às 8h, com a etapa inicial da Prova de Mangueira, que integra o Concurso Freio de Ouro. Para o primeiro dia também estão marcados julgamentos, palestras, remates, seminários e apresentações artísticas. O sábado termina com um show de Pedro Ortaça, a partir das 20h. 

No domingo (28), serão realizados outros 16 julgamentos de bovinos, ovinos e equinos, além de provas funcionais, concursos leiteiros, leilões, demonstrações, exposições, premiações e palestras. Uma solenidade especial marcará as comemorações dos 30 anos do Freio de Ouro, a partir do meio-dia. 

Ingressos e acesso ao parque 
Os ingressos serão vendidos na bilheteria do portão 3 e junto às estações Mercado Público, Rodoviária, Canoas, Sapucaia e São Leopoldo, da Trensurb, onde podem ser comprados antecipadamente. Os bilhetes custam R$ 8 para o público em geral e R$ 4 para estudantes e idosos maiores de 60 anos. Crianças com menos de seis anos não pagam. 

A entrada de automóveis custará R$ 20, com isenção para o motorista. O acesso ao estacionamento se dará pelo portão 15, localizado no final da Avenida do Parque, e poderá ser feito de duas formas. Motoristas que trafegam pela BR 116, no sentido interior-capital, devem acessar a via lateral da rodovia após a entrada do parque. 

Para quem chega pelo sentido capital-interior, a Polícia Rodoviária Federal apresenta três alternativas: 
- Pela Avenida Guilherme Schell, passando por dentro de Canoas e costeando a linha do Trensurb, acessando o portão 15 sem passar pela frente do parque; 
- Pela BR 116, acessando a via lateral antes da Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP) e seguindo pela rótula para acessar a Avenida Guilherme Schell; 
- Pela BR 116, seguindo pela pista principal da rodovia e passando em frente ao parque, efetuando o retorno sob o viaduto ou, nos fins de semana, no trevo da RS 118.

Em todos esses locais, haverá placas indicativas de direção orientando os motoristas que desejam acessar o Parque Assis Brasil. Outra alternativa de locomoção, mais cômoda e mais barata, é a Trensurb. A empresa irá operar em regime de horários de pico durante os fins de semana, colocando sua frota máxima à disposição dos usuários. Motoristas poderão deixar seus automóveis em uma das duas mil vagas dos estacionamentos próximos às estações do centro de Porto Alegre, pelo preço médio de R$ 10 a diária.

Via Campesina faz audiências em ministérios para cobrar medidas


A ocupação do Ministério da Fazenda pela Via Campesina Brasil nesta segunda-feira (22) resultou no agendamento de audiências para hoje (25) em quatro ministérios com a finalidade de discutir as principais demandas do movimento. As pautas em negociação correspondem ao assentamento imediato das 60 mil famílias acampadas, a recomposição do orçamento do Incra para obtenção terras e a renegociação das dívidas da agricultura familiar, composta em R$ 30 bilhões.
Serão realizadas audiências no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e no Ministério da Educação (MEC).
Quanto à recomposição do orçamento do Incra, o movimento destaca que os R$ 530 milhões para desapropriações de terras para 2011 já foram executados e o orçamento para o ano que vem poderá sofrer um corte de R$ 65 milhões. Os trabalhadores também cobram medidas contra o fechamento de escolas no meio rural, nos últimos oito anos, mais de 24 mil foram fechadas no meio rural, segundo dados do Censo Escolar.
Todas estas mobilizações fazem parte do Acampamento Nacional da Via Campesina, com quatro mil trabalhadores e trabalhadoras rurais reunidos no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. O acampamento integra a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária que acontece em todo o Brasil desde o dia 22 de agosto, com dezenas de mobilizações em pelo menos 17 estados.

24 de agosto de 2011

José Dirceu: sem reforma política, sistema cairá nas ruas

"A reforma política é uma demanda que vai se impor. Senão, o sistema vai cair, e vai cair nas ruas" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Benedito Tadeu César

Ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu mantém-se como homem forte do PT, ainda que minimize sua participação na direção do partido. “Procuro ajudar o governo e o PT. Mas não tenho essa importância, esse papel que querem dar a mim”, afirma. No entanto, enquanto trabalha como consultor de empresas e prepara a defesa no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), faz política na maior parte do tempo.
Os rumores de uma rebelião no governo Dilma Rousseff, os desafios da presidenta frente à crise econômica e as propostas de reforma política estão na pauta de José Dirceu. Em entrevista concedida ao Sul21 na semana passada, ele avaliou positivamente a atuação de Dilma na área econômica e criticou a oposição – e setores da imprensa – por aventarem a possibilidade de Lula ser candidato em 2014.
Diante da série de denúncias em ministérios, Dirceu defendeu a política de alianças iniciada no governo Lula e afastou a relação da ampla coalizão com casos de corrupção. “O combate à corrupção tem sido feito. Mas é preciso fazer a reforma política e administrativa também”, defende. Do contrário, o sistema político perderia a crebilidade: “A reforma política é uma demanda que vai se impor. Senão, o sistema vai cair, e vai cair nas ruas”.
Na entrevista, José Dirceu também comentou a crise do governo Lula em 2005, os desafios do Brasil na América Latina e, por fim, as costuras políticas de seu partido para as eleições municipais em Porto Alegre.

22 de agosto de 2011

Após massacre, imperialismo conquista petróleo líbio



Plano para um Brasil mais competitivo

Com a nova política industrial brasileira, anunciada no início de agosto pela presidenta Dilma Rousseff, estamos adotando medidas de proteção do mercado interno e do aumento da renda da população, garantindo ao país o menor nível de desemprego das últimas décadas. Enquanto países da Europa, os Estados Unidos e o Japão enfrentam graves crises econômicas, Dilma repete a receita que Lula adotou no período da crise internacional de 2008, apostando na proteção do mercado interno e estimulando a competitividade. Ou seja, em vez de retrair a economia, o governo federal mostra ousadia e coragem ao adotar medidas protecionistas para, dessa forma, diminuir o impacto da crise mundial sobre o mercado nacional.
As medidas do Plano Brasil Maior atendem às principais reivindicações de setores produtivos atingidos pela valorização do real, beneficiando setores como de confecções, calçados, móveis e softwares - todos com forte atuação no Rio Grande do Sul.

A contribuição patronal destes setores para a Previdência que era de 20% sobre a folha cai para 1,5% sobre o faturamento, com garantia legal de reposição pelo governo para que a Previdência não diminua a sua arrecadação. O novo plano prevê, ainda, a desoneração quase total de impostos sobre a compra de bens de capital para modernizar a indústria nacional, mais agilidade no ressarcimento de créditos de exportação, fortalecimento do sistema de defesa comercial com a adoção de novas medidas de antidumping, novas linhas de crédito subsidiado para inovação e um novo regime automotivo com vantagens tributárias para a produção de veículos com alto índice de nacionalização no seu processo produtivo. Além disso, com o Reintegra, os exportadores terão a devolução em dinheiro de 3% sobre o total das exportações de manufaturados. As compras governamentais também passarão a dar preferência para produtos manufaturados e serviços nacionais.

Também em agosto, a presidenta Dilma lançou o Supersimples para proteger e incentivar as micro e pequenas empresas, ampliando o número de empresas beneficiadas pela redução de impostos do Simples. O plano prevê aumento de 50% nos níveis de faturamento sobre os quais se permite o enquadramento no Simples, a exclusão total das exportações deste cálculo e o aumento do teto para o microempreendedor individual de R$ 36 mil para R$ 60 mil por ano de faturamento.

O impacto dessas medidas na geração de emprego e renda e no crescimento das empresas será de curto prazo. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, que participa da Frente Parlamentar em defesa do setor, já manifestou que o anúncio foi um passo importante. Os principais objetivos da Frente estão sendo alcançados com as ações que integram o Plano Brasil Maior, que são a redução do custo do emprego, a desoneração do investimento e das exportações e a criação de acordos internacionais com Estados Unidos e União Européia.

* Deputado Federal (PT-RS), presidente da Frente Parlamentar Mista pelo Desenvolvimento do Setor Têxtil e de Confecção

O PT e a Reforma Política

O Partido dos Trabalhadores nasceu com uma vocação democratizadora. Por um motivo simples: para se realizarem, os interesses dos trabalhadores, que são a ampla maioria da população, precisam de uma institucionalidade baseada nos valores da liberdade e da igualdade de oportunidades para intervir no cenário político. Sem democracia, os trabalhadores estão fadados a assistirem de longe o acordo político entre as elites.

A democracia é um sistema em que cada pessoa tem o direito de dar opinião e se posicionar sobre os temas públicos e buscar, através de mediações institucionais, realizar na prática suas opiniões e defender os seus posicionamentos. Existem formas diferentes de dar vazão a esses interesses e posicionamentos - como sindicatos, associações e mesmo movimentos de ação direta -, mas a forma mais universal, aquela que possui a maior abrangência para racionalizar os interesses de determinadas parcelas da população ou, porque não dizer, de determinadas classes sociais, é o partido, uma instituição que serve para organizar as opiniões e os interesses dos vários setores em uma determinada organização social.

71 anos do assassinato de Trotsky

Em 21 de agosto de 1940, há 71 anos, Lev Davidovich Bronstein, conhecido no mundo pela alcunha de Leon Trotsky, era assassinado em sua casa no México, onde vivia exilado. Seu algoz, um agente de Stálin.

Como disse o jornalista norte-americano Walter Duranty, "Em toda a História há poucas carreiras tão românticas como a de Leon Trotsky: ter-se levantado de tão baixo e atingido as alturas, ter brilhado tanto e ter levado a cabo feitos heróicos em um mundo tremendo de medo – e então voltar novamente ao nada."


Trotsky foi um personagem polêmico e central na esquerda do século XX, foi um homem que, em uma noite fria de outubro de 1917, ordenou o assalto final ao Palácio de Inverno do czar; chefiou exércitos russos, cobrindo de ponta a ponta o território de sua pátria em defesa da revolução bolchevique; conseguiu, com uso de sua palavra apaixonada, fazer com que simples operários e camponeses começassem a acreditar no futuro; produziu livros que até hoje enchem as bibliotecas e livrarias de todo o mundo: o homem cuja personalidade dedicada, brilhante e contraditória continua a intrigar gerações de historiadores e militantes políticos.


Em 27 de fevereiro de 1940, poucos meses antes de ser assassinado, já chegando aos 60 anos, Trotsky escreveu: “Minha fé no futuro comunista da Humanidade não é menor agora do que ao tempo de minha juventude”. E mais adiante: “Natalya aproximou-se da janela, vinda do pátio, abriu-a de par em par, para que o ar entre mais livremente em minha sala. Vejo a faixa de grama bem verde junto do muro e o céu azul e claro acima dele, o sol por toda parte. A vida é bela. Que as gerações futuras eliminem dela todo mal, opressão e violência, gozando-a plenamente”.

Camponeses prometem levar 15 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios

A semana começará com resistência da Via Campesina ao fechamento de 24 mil escolas rurais nos últimos oito anos. Antecipando a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária (prevista para terça-feira, 23), a entidade promete levar a Brasília nesta segunda-feira (22), quatro mil trabalhadores rurais de 23 estados. Durante toda a semana, um acampamento ao lado do Ginásio Nilson Nelson, no plano-piloto da capital federal, servirá como base para atos políticos que alertem para a necessidade de criar novos assentamentos e estimular os já existentes.
Os camponeses estabeleceram quatro reivindicações centrais: assentamento de 60 mil famílias que, segundo cálculos dos movimentos, estão acampadas em vários pontos do país; a melhoria do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com mais verbas para desapropriações de latifúndios improdutivos; a renegociação das dívidas da agricultura familiar; e a oposição ao fechamento de 24 mil escolas rurais nos últimos oito anos.
Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), o dado sobre a educação no campo é a demonstração de uma falha no projeto de país. “Os governos têm demonstrado cada vez mais a clara opção pela agricultura de negócio – o agronegócio –, que tem em sua lógica de funcionamento pensar num campo sem gente e, por conseguinte, um campo sem cultura e sem escola”, afirma Erivan Hilário, do Setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Os camponeses pretendem somar esforços com outras categorias de trabalhadores para um ato unificado nesta quarta-feira (24), quando esperam reunir 15 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. No caso da educação, os manifestantes vão pedir o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor, além da garantia de que 50% da renda proveniente da exploração do petróleo na camada pré-sal seja destinada a investimentos no ensino público. Outra questão central no ato será o pedido para que o Congresso Nacional aprove a proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Informações da Rede Brasil Atual

20 de agosto de 2011

Após o pico do petróleo, a globalização irá a pique

A realidade mostra que, na economia globalizada, a pobreza é o único fenômeno sustentável, afirma neste artigo o empreendedor Gunter Pauli.
por Gunter Pauli *

A economia mundial seguiu, durante décadas, o caminho da globalização. O timão dirigido para economias de escala cada vez maiores a custos marginais cada vez mais baixos empurrou o setor manufatureiro para a padronização e redução radical dos gastos mediante a subcontratação e o controle da cadeia de fornecimentos.
Assim se impuseram a concentração dos fornecedores, a eliminação de desnecessárias gerências internas, o fomento das fusões e aquisições e a redução de custos para garantir maiores lucros aos investidores e preços mais baixos aos clientes, de modo a aumentar seu poder de compra e engrossar as fileiras da cobiçada classe média.
Supunha-se que este processo de crescimento globalizado derramaria riqueza a partir das camadas sociais mais altas para as mais baixas, distribuindo-a melhor e permitindo que mais integrantes da classe média se tornassem ricos.
Entretanto, a realidade mostra que, na economia globalizada, a pobreza é o único fenômeno sustentável. Embora se possa argumentar que houve crescimento e expansão do mercado, a quantidade de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia nunca foi maior do que agora.
Considerou-se que o controle da explosão demográfica era um fator prioritário para um desenvolvimento social equitativo para todos no planeta. Porém, controlar o crescimento da população não é suficiente.
A ação mais decisiva que é necessária – e a menos debatida – é a mudança do modelo de negócio.
Nosso sistema econômico sempre se guiou pela eficiência, mas nunca considerou a suficiência. A cobiça, em lugar da necessidade, foi a musa inspiradora do impulso empresarial. E a distância entre os mais ricos e os mais pobres do mundo nunca foi tão grande como agora.
A alternativa, proposta pela Economia Azul, é satisfazer nossas necessidades básicas com o que temos. Chegou a hora de acabar com o consumo além da capacidade real do planeta.
Para sair da armadilha da escassez e entrar em um mundo de suficiência para todos os seres sensíveis, e não apenas para a espécie humana, devemos introduzir inovações e tecnologias que forneçam nutrientes e energia em cascata, tal como fazem os ecossistemas.
Amory Lovins e seus especialistas em energia do Rocky Mountain Institute demonstraram que a sociedade moderna chegou em 2007 ao “pico do petróleo” – o momento em que a extração anual de combustíveis fósseis alcançou seu ponto mais alto – e que desde então estão diminuindo progressivamente as reservas. Nesta situação, a redução do consumo e a busca por fontes renováveis de energia são uma necessidade absoluta.
Contudo, o fim da era de acesso ilimitado aos combustíveis fósseis traz consigo o “pico da globalização”. As empresas que se expandiram até se transformarem em corporações mundiais agora enfrentam uma tendência de dinâmica decrescente.
As vencedoras serão as pequenas e médias empresas, inspiradas por milhões de empresários que souberem responder às necessidades básicas de suas comunidades com os recursos locais disponíveis.
Esta mudança permite conceber um sistema competitivo no qual o livre comércio e o livre fluxo de investimentos estrangeiros diretos já não serão a chave para o sucesso econômico.
O novo modelo proporcionará oportunidades para as empresas locais que forem capazes de criar uma ampla aliança de atividades econômicas e sociais com múltiplas rendas e benefícios.
Este modelo é a alternativa à camisa de força que o mantra do uniformizado e globalizado mundo contemporâneo impôs: o giro do negócio e a competição essencial, e seu fetiche, a análise de fluxos de capitais.
Abandonar o modelo da Harvard Business School, que obriga as gerências a se concentrarem em um produto e um processo por vez, permitirá que Davi vença Golias novamente.
Davi ganhará, não por ter acesso privilegiado aos mercados globais de capital, trabalho, energia e minerais, mas sim porque a acelerada expansão que incentivou a globalização terá deixado os gigantes extremamente vulneráveis.
E, ao contrário das 500 maiores empresas listadas pela revista Forbes, poucos empresários desejarão substituir esses gigantes, e se darão por satisfeitos se cada um conseguir abocanhar uma porção de 2% ou 3% do mercado de seus formidáveis oponentes.
Este novo paradigma facilitará a chegada de sistemas descentralizados de produção e consumo que já são competitivos e tecnicamente viáveis em todos os setores da economia, incluindo mineração, reflorestamento, agricultura, metais, química, energia e indústria do papel.
A carteira de cem inovações descritas na Economia Azul e seus crescentes êxitos de mercado em todos os rincões do mundo mostram que esses avanços individuais não são isolados, mas parte de uma nova tendência que chamo de “o fim da globalização”.
Embora a penetração completa da Economia Azul em nosso tecido social e econômico talvez demore algumas décadas mais, já estão sendo forjadas forças competitivas conduzidas por necessidades e por recursos locais.
Assim nascerá uma nova sociedade na qual serão gerados empregos suficientes, os melhores produtos para a saúde e o meio ambiente serão menos caros, e se crie capital social pela simples dinâmica de ser mais produtivo e competitivo.
Definitivamente, isso é o que se espera da economia humana: que consiga muito mais com muito menos.

* Gunter Pauli é empresário e autor da obra “A Economia Azul” (www.blueeconomy.de). Direitos exclusivos IPS.

19 de agosto de 2011

O PT em Porto Alegre em 2012

Jeferson Miola
1.       Porto Alegre é a cidade que propiciou ao PT realizar a mais rica, a mais original e a mais exuberante experiência de construção política nos anos iniciais de sua afirmação como projeto político de esquerda.
A capital gaúcha foi governada pelo PT com seus aliados consecutivamente de 1989 a 2004. Durante aquela etapa inicial de afirmação do PT e do amadurecimento da sua presença na vida institucional do Brasil, Porto Alegre foi uma fonte de irradiação das principais experiências administrativas, gerenciais e políticas do Partido.
O êxito das gestões petistas explica a transcendência do PT para a cidade, habilitando-o a governar Porto Alegre em quatro dos sete mandatos desde a retomada das eleições diretas nas capitais e nas áreas de segurança nacional [1985]. Não por acaso, dois dos quatro prefeitos do PT posteriormente se tornaram governadores do Rio Grande do Sul.

Zeri realiza 1º encontro com o grupo consultivo do Projeto “Resíduo tem Valor!”

Nesta segunda-feira (15), no auditório da Acic – Associação Comercial e Industrial de Camaquã, o vereador José Carlos Copes participou do primeiro encontro com o grupo consultivo do Projeto “Resíduo Tem Valor!”, da Fundação Zeri Brasil, em Camaquã. O projeto é um plano de estruturação das cadeias produtivas, relacionadas ao manejo, aproveitamento e agregação de valores aos resíduos rurais e urbanos no município. 


A reunião começou com o pronunciamento do secretário municipal de Desenvolvimento e Empreendedorismo, Clóvis Rodrigues, e do prefeito de Camaquã, Ernesto Molon, que introduziram os facilitadores do método sistêmico, o coordenador local do Projeto, Diego Boeira, o Diretor de Ciência e Tecnologia da Zeri Brasil, Lúcio Brusch e a consultora do Projeto, Sara Cecin. Os três facilitadores presidiram a reunião, que contou com a participação de 41 pessoas de diversos setores da sociedade camaquense. 


O grupo consultivo foi identificado durante a fase de implantação do Projeto no município. Esse grupo precisa ser o mais representativo possível da sociedade de Camaquã, portanto, dentre esse participantes estão educadores, advogados, engenheiros, artesãos, empresários, representantes de sindicatos e representantes dos poderes legislativo e executivo municipal.


A partir daí, a facilitadora Sara conduziu uma dinâmica de apresentação de pessoas que mostrava um pouco da personalidade de cada um: os participantes escreveram em um papel o nome e uma qualidade, e trocaram entre si, na sequência cada um teve que justificar a palavra escolhida. Durante o encontro, cinco dentre os 41 participantes apresentaram trabalhos sobre iniciativas que já estão sendo realizadas e que guardam afinidade com os princípios seguidos pela Fundação ZERI. Os trabalhos foram apresentados por Fábio Peres, Guel Fernandes, Fernando Vargas, Daniel Sperb e Adriana Tamborin.


Ao final deste encontro, Sara passou um vídeo que ressaltou a importância de acreditar no impossível para que as coisas se concretizem e solicitou que cada um falasse do que aprendeu durante o evento. A próxima reunião é dia 22 de agosto, quando será desenvolvida uma linha do tempo com o objetivo de conhecer mais da história de Camaquã. “Afinal, precisamos conhecer bem o passado para entender onde estamos e perceber com maior clareza para onde precisamos ir”, afirma o coordenador Diego.

Fundação ZERI Brasil

Nossa Fundação é o resultado do esforço de um grupo de profissionais que, desde abril de 1996, tem tido a oportunidade de conviver com o empresário Gunter Pauli, bem como com suas idéias e suas propostas de ação, organizadas e difundidas inicialmente sob a coordenação da Universidade das Nações Unidas, UNU, em Tóquio; depois pela Fundação ZERI Mundial em Genebra; e hoje pela Rede ZERI Global.

O acrônimo ZERI , do inglês Zero Emissions Research & Initiatives, descreve um esforço de Pesquisa e geração de Iniciativas nos temas das Emissões Zero.
O conceito de Emissões Zero representa o entendimento de que todo e qualquer resíduo de um processo deverá constituir-se em insumo de um outro processo, num encadeamento capaz de agregar valor em todas etapas e trocas. Ou seja, caso o entendimento não seja claro, exatamente como funciona a Natureza.

A direita não se convence da derrota

COPAPSO MORAL...
Aqueles que se veem como excluídos da sociedade não têm razão alguma para obedecer às suas normas.
Eis uma colocação trivial que qualquer habitante de metrópoles brasileiras aceitaria. Conhecemos bem tal situação social onde a exclusão e a falta de perspectiva gera a descrença (no melhor cenário) ou a violência (no pior) contra o império das normas sociais.

Muitos gostariam de chamar isso de "sociologismo vulgar", como se fosse questão de afirmar que onde há pauperização sempre haverá crime.

Talvez seja o caso de simplesmente dizer que a pauperização e o sentimento de ter sido deixado de lado pelo Estado gera, de maneira forte, a desagregação do laço social.

Quando não há nada que sirva de contrapeso a tal processo, é fácil começar a ver carros queimados, lojas quebradas e outros atos de vandalismo.

Nesse sentido, há algo de profundamente cômico em ouvir o premiê britânico, David Cameron, afirmar que a Inglaterra está vivendo um "colapso moral" e que devemos colocar os confrontos em Londres e em outras cidades na conta da ausência de valores como "espírito de equipe, decência, dever e disciplina".

Sim, as escolas e as famílias não ensinam mais esses grandes valores, mas, segundo o primeiro-ministro, em seu papel de último esteio moral da ilha, "desencorajam o trabalho" e fornecem "direitos sem responsabilidade". Por muito pouco, não fomos brindados com a ideia inovadora de que as altas taxas de desemprego eram fruto da "preguiça".

Alguém deveria ter dito a Cameron que ele não é exatamente um bom enunciador contra o colapso moral britânico, ainda mais depois de um de seus principais assessores ser pego envolvido no escândalo que expôs as relações incestuosas entre a política britânica e o magnata da mídia Rupert Murdoch.

Da mesma forma, quando seu governo destrói todo o resto de sistema público de educação e de assistência social após ter pago (com o beneplácito de seu partido) a conta de bancos responsáveis pela crise de 2008, há de se perguntar se o colapso moral vem da City ou de Tottenham.

Pelo menos Cameron mostrou o que o pensamento conservador pode nos oferecer hoje: ladainhas morais em vez de ações enérgicas contra os verdadeiros arruaceiros, ou seja, esses que operam no sistema financeiro internacional.

Enquanto isso não ocorrer, jovens roubando lojas de iPads e tênis continuarão dizendo: não aceitaremos estar fora do universo de consumo e sucesso individual que vocês mesmos inventaram. Nós entraremos nele, nem que seja saqueando.

Por isso, antes de cobrar responsabilidades de setores desfavorecidos da população, Cameron deve parar de tentar escapar de suas próprias.

Artigo de Vladimir Pinheiro Safatle, professor livre docente do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em epistemologia (teoria do conhecimento) e filosofia da música. Publicado na Folha, edição de terça-feira passada (16/8).

O que é o ecossocialismo

Corrente articula meio ambiente e socialismo.
Michael Löwy*
 
O Manifesto Ecossocialista Internacional, publicado nos Estados Unidos e na França, e, mais recentemente, o Manifesto Ecossocialista brasileiro, são algumas das manifestações de um fenômeno que tem se desenvolvido em vários países. Um fenômeno que é herdeiro de muitos anos de lutas, como por exemplo, no Brasil, o combate e o sacrifício de Chico Mendes.
O que é então o ecossocialismo? Trata-se de uma corrente de pensamento e de ação que se reclama ao mesmo tempo da defesa ecológica do meio ambiente e da luta por uma alternativa socialista. Para os ecossocialistas, a lógica do mercado e do lucro capitalistas conduz à destruição dos equilíbrios naturais, com conseqüências catastróficas para a humanidade.
Em ruptura com a ideologia produtivista do progresso - em sua forma capitalista e/ou burocrática - e em oposição à expansão ilimitada de um modo de produção e de consumo incompatível com a proteção da natureza, esta corrente representa uma tentativa original de articular as idéias fundamentais do socialismo - marxista e/ou libertário – com os avanços da crítica ecológica.
 
Um outro tempo
A racionalidade estreita do mercado capitalista, com seu cálculo imediatista de perdas e lucros, é intrinsecamente contraditória com uma racionalidade ecológica, que toma em consideração a temporalidade longa dos ciclos naturais. Não se trata de opor os "maus" capitalistas ecocidas aos "bons" capitalistas verdes: é o próprio sistema, baseado na concorrência impiedosa, nas exigências de rentabilidade, na corrida atrás do lucro rápido, que é destruidor do meio ambiente.
É necessária uma reorganização do conjunto do modo de produção e de consumo, baseada em critérios exteriores ao mercado capitalista: as necessidades reais da população e a defesa do equilíbrio ecológico. Isto significa uma economia de transição ao socialismo, na qual a própria população - e não as leis do mercado ou um bureau político autoritário - decide, democraticamente, as prioridades e os investimentos.
Essa transição conduziria não só a um novo modo de produção e a uma sociedade mais igualitária, mais solidária e mais democrática, mas também a um modo de vida alternativo, uma nova civilização, ecossocialista, mais além do reino do dinheiro, dos hábitos de consumo artificialmente induzidos pela publicidade e da produção ao infinito de mercadorias inúteis.
Os ecossocialistas sabem que os trabalhadores do campo e da cidade, mais além dos limites de suas organizações sindicais e políticas atuais, são uma força essencial para a transformação radical do sistema e o estabelecimento de uma nova sociedade.
Clique aqui para ter acesso à integra do manifesto ecossocialista
Michael Löwy é sociólogo brasileiro radicado na França, militante ecossocialista e internacionalista.

18 de agosto de 2011

Após queda de Rossi, PMDB indica Mendes Ribeiro Filho para Ministério da Agricultura


Em reunião na noite desta quarta-feira (17), o PMDB indicou o nome do deputado federal gaúcho Mendes Ribeiro Filho para ocupar a vaga de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura. A confirmação deve ocorrer nesta quinta. Caso vá para o ministério, Mendes Ribeiro abre caminho para a volta de Eliseu Padilha para a Câmara dos Deputados.
Wagner Rossi pediu demissão nesta quarta, depois de uma série de denúncias veiculadas pela imprensa sobre irregularidades no Ministério da Agricultura. “Durante os últimos 30 dias, tenho enfrentado diariamente uma saraivada de acusações falsas, sem qualquer prova, nenhuma delas indicando um só ato meu que pudesse ser acoimado de ilegal ou impróprio no trato com a coisa pública”, afirmou Rossi em nota, disparando contra veículos como Veja e Folha de São Paulo. Também em nota, a presidenta Dilma Rousseff lamentou a decisão e declarou que Rossi não pôde contar “com o princípio da presunção de inocência diante de denúncias contra ele desferidas”.
O Ministério da Agricultura será comandado pelo deputado Mendes Ribeiro Filho, um dos poucos políticos do PMDB no Rio Grande do Sul a apoiar Dilma durante as eleições. Amigo pessoal da presidenta, Mendes Ribeiro ocupava a liderança do governo no Congresso. A indicação, chancelada pelo vice-presidente Michel Temer, será confirmada nesta quinta pela presidenta.
À noite, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), confirmou a indicação de Mendes Ribeiro. “Mendes Ribeiro será o novo ministro da agricultura. O nome do deputado é uma indicação da bancada do PMDB da Câmara. A indicação foi levada agora há pouco ao vice-presidente Temer, no Palácio do Jaburu. O vice-presidente Michel Temer submeteu o nome de Mendes à presidente Dilma, que aprovou a escolha”, escreveu Alves, em sua conta no Twitter.
A nomeação de Mendes Ribeiro abre espaço para o retorno de Eliseu Padilha, suplente do PMDB, para a Câmara.

Acampamento da Via Campesina reúne 4 mil agricultores em Brasília


Movimentos da Via Campesina realizam a partir da próxima segunda-feira (22) um acampamento em Brasília que pretende reunir cerca de quatro mil trabalhadores rurais de todo o Brasil. O ato faz parte de uma jornada nacional de lutas por reforma agrária, que deve ser acompanhada por ações em outros Estados.
De acordo com o Movimento Sem Terra (MST), a jornada defenderá o assentamento de 60 mil famílias que vivem em acampamentos de beira de estrada, com a recomposição do orçamento federal para a compra de terras. Segundo o movimento, os R$ 530 milhões destinados para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já foram executados em 2011. Para o próximo ano, estão previstos R$ 465 milhões, um corte de R$ 65 milhões, segundo dados do Incra.
“Especialistas ainda afirmam que o Brasil possui cerca de quatro milhões de famílias de trabalhadores sem terra que são potenciais beneficiárias de políticas de reforma agrária. Os latifúndios, com mais de mil hectares, somam menos de 1% das propriedades e controlam 44,42% das terras”, afirma José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST. A renegociação das dívidas dos pequenos agricultores também é pauta de reivindicação.
A Via Campesina é uma articulação de movimentos do campo, como MST, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Relator da reforma política vê exaustão do sistema eleitoral

O relator da Comissão de Reforma Política da Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), apresentou nesta quarta-feira (17) as conclusões de seu trabalho. O deputado elaborou um anteprojeto que altera o sistema de eleições proporcionais e institui o financiamento público de campanha, além de quatro propostas de emenda à Constituição, que alteram questões mais pontuais, como a suplência do Senado. Fontana diz confiar no avanço da reforma política, uma vez que a população estaria sentindo “os sinais de exaustão” do atual sistema eleitoral.
“Eu destaco o financiamento exclusivamente público de campanha, considero a mudança mais estrutural, porque hoje temos uma democracia cada vez mais pautada pelo poder econômico”, afirma Fontana ao Sul21. Quanto ao sistema das eleições proporcionais, Fontana estabeleceu que o eleitor votará duas vezes para cada cargo – um voto em uma sigla e outro em um candidato. Metade das cadeiras conquistadas por cada partido será de acordo com a lista partidária e metade para os candidatos mais votados.

Ministro da Agricultura pede demissão e acusa conspiração de inimigo e da imprensa


O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, entregou nesta quarta (17) carta de demissão à presidenta Dilma Rousseff. Na carta, divulgada no site do ministério no início da noite, Rossi afirma que foi alvo de denúncias sem provas por veículos de imprensa que teriam sido pautados por um inimigo político, o qual o ministro não nomeia. Há duas semanas, Rossi vem sendo alvo de uma série de denúncias que começaram quando Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, acusou o ministro de participar de desvio de recursos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A presidenta Dilma Rousseff ainda não manifestou se aceita o pedido de Rossi.
“Sei de onde partiu a campanha contra mim. Só um político brasileiro tem capacidade de pautar Veja e Folha e de acumular tantas maldades fazendo com que reiterem e requentem mentiras e matérias que não se sustentam por tantos dias. Mas minha família é meu limite. Aos amigos tudo, menos a honra”, diz o trecho final da carta.
No texto, Rossi diz que respondeu a toda uma “saraivada de acusações” que vem sofrendo nos últimos 30 dias. Afirma que possui documentos comprobatórios de sua inocência os quais a imprensa “ignorou”. “Nada achando contra mim e no desespero de terem que confessar seu fracasso, alguns órgãos de imprensa partiram para a tentativa de achincalhe moral: faziam um enorme número de pretensas “denúncias” para que o leitor tivesse a falsa impressão de escândalo, de descontrole administrativo, de descalabro”, diz a carta.

16 de agosto de 2011

Vereador Copes em reunião com Deputado Federal Henrique Fontana


Estiveram reunidos no dia 11 de agosto, em Porto Alegre, o Deputado Federal Henrique Fontana e o Vereador José Calos Copes. Também presentes o assessor de comunicação do PT-Camaquã, Maiquel Oliveira e o chefe de gabinete de Fontana, Zelmute Marten. Na oportunidade, o vereador Copes fez uma análise de conjuntura sobre as questões importantes para Camaquã e região. Fontana destacou a importância do município para o seu mandato e colocou seu gabinete a disposição para qualquer demanda apresentada pelo vereador. “Copes, tu é meu candidato a prefeito em Camaquã. Tudo que puder fazer para colaborar neste processo, estou a disposição”, destacou o deputado.