30 de novembro de 2011

Cpers e governo retomam diálogo, mas impasses permanecem

Samir Oliveira

Uma reunião de 40 minutos entre o comando de greve do Cpers e a Secretaria Estadual de Educação na manhã desta terça-feira (29) marcou a retomada do diálogo entre o governo e o sindicato. O Palácio Piratini acusava a direção do Cpers de ter rompido unilateralmente as conversas ao decretar greve no dia 18.
Desde então, as relações, que já não andavam amistosas, azedaram ainda mais entre as partes. O tom das críticas se elevou e os grevistas chegaram a fazer um ato político em frente ao Palácio Piratini. No mesmo dia, o secretário de Educação, José Clóvis Azevedo (PT), disse, em coletiva de imprensa, que a direção do sindicato não tinha familiaridade com os conceitos propostos para a reforma do Ensino Médio que a administração estadual quer implementar.
Após tentar ser recebida de última hora pelo governo, sem ter marcado horário, no dia 24, a presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, enviou um ofício e conseguiu a agenda nesta terça-feira.
E saiu com um discurso ainda crítico, mas mais moderado. Lamentou que não tenha sido apresentado um cronograma fixo para o pagamento do piso nacional do magistério de R$ 1.187,00. “Não foi estabelecido um processo de negociação, já que o governo não apresentou nenhuma proposta”, condenou.
Entretanto, a secretária-adjunta de Educação, Maria Eulalia Nascimento (PT), considerou o encontro positivo, pois o sindicato já admite receber um calendário de pagamento do piso. “Perguntamos se aceitavam discutir a implantação gradual do piso e responderam que aguardavam um cronograma fixo. Então saíram da reivindicação ‘piso já’ para a gradatividade”, avalia.
Maria Eulalia explica que esse cronograma só não foi elaborado ainda porque o governo aguarda o Ministério da Educação estabelecer um reajuste do piso, que deve ocorrer em janeiro. “A partir daí podemos ter algo mais concreto para compatibilizar com um cronograma.”
A secretária-adjunta informa que foi encaminhado um ofício convidando o Cpers a debater as propostas de reforma no Ensino Médio e de avaliação projetadas pelo governo. A intenção é fazer com que o sindicato abandone a defesa que tem feito da retirada imediata desses dois projetos, sem se preocupar em debater seus conteúdos.
Rejane sustenta que “o papel de um governo que diz querer resolver o conflito e negociar é apresentar uma proposta concreta” e garante que “enquanto isso não ocorrer nosso movimento continua”.
Enquanto o Cpers assegura que a greve se fortalece com reuniões regionais e vigílias – inclusive em frente ao Palácio Piratini, a Secretaria Estadual de Educação afirma que somente 1,56% das escolas públicas estão fechadas. “São mais paralisações pontuais do que propriamente uma greve nos moldes que conhecemos”, classifica Maria Eulalia.

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