Samir Oliveira
Em assembleia na tarde desta sexta-feira (2) em frente ao Palácio Piratini, o Cpers decidiu encerrar a greve iniciada no dia 18 de novembro. O ato ocorreu em frente ao Palácio Piratini, uma semana após outra reunião no local, e contou com baixa participação dos professores. Os sindicalistas evitaram admitir que o final da greve significava uma derrota para o movimento e garantiram que continuarão pressionando o governador Tarso Genro para que pague imediatamente o piso nacional de R$ 1.187,00 e para que interrompa as mudanças que pretende implementar no Ensino Médio da rede pública.Durante o encontro, ficou evidente a divisão que há no sindicato entre as alas que apoiam a greve e aqueles que não desejavam a paralisação, ou defendiam que ela ocorresse apenas em março do próximo ano. O clima ficou bastante tenso quando um professor se pronunciou contra a greve no carro de som.
“Espero que agora a direção do Cpers não fique buscando culpados para o fracasso que foi essa greve”, disse, sob fortes vaias de outros colegas. Em seguida, os ânimos se exaltaram e houve uma discussão entre os apoiadores e os críticos da greve. Os grupos tiveram que ser separados para que não houvesse confronto físico.
A presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, considera que o movimento foi positivo. “Foi uma greve de debate, conseguirmos fazer com a categoria e a sociedade conhecesse as reformas que o governo quer fazer, que preparam mão-de-obra pra o capital e o empresariado”, disparou a sindicalista. Ela reconheceu que “há limites para uma greve no final do ano”, mas salientou que as pressões continuarão e que será feira uma nova assembleia-geral em março.
As relações entre o Cpers e o Palácio Piratini foram tensas durante toda a greve. O governo minimizava o impacto das paralisações, informando que não atingiam sequer 2% das escolas, enquanto o sindicato sustentava que o movimento se fortalecia. As duas partes só se reuniram uma vez, mas a situação ficou ainda pior após o encontro, pois a Secretaria Estadual de Educação mandou um ofício que enfureceu os grevistas.
No documento, constava que o governo estava disposto a dialogar “assim que a categoria deliberasse pelo fim da greve”. O Cpers entendeu o texto como uma chantagem e decidiu devolvê-lo sem resposta.
As declarações de Rejane dão a entender que, mesmo com o fim da greve, as relações continuarão tensas. “Já temos um calendário de campanhas contra o governo, de enfrentamento ao governo”, declarou.
Secretaria da Educação diz que final da greve significa retomada do diálogo
A secretária-adjunta de Educação do governo do Estado, Maria Eulalia Nascimento, projeta que o final da greve do magistério pode fazer com que o diálogo seja retomado entre as partes. Ela alega que as conversas foram rompidas unilateralmente quando o Cpers iniciou as paralisações.
“A formalização do final da greve significa uma expectativa de que haja uma reabertura do diálogo”, avalia. A secretária-adjunta informa que o governo não irá efetuar o pagamento referente aos dias em que os profissionais não compareceram ao trabalho por estarem em greve. “Não significa cortar o ponto. É uma consequência da paralisação”, explica.
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